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speak when you're spoken to
scratch the scabs from my scars,
spit on the sores on my skin,
constantly seizing my demise
my soul's stained from your sins.
the one that looks from outside
may not see. since
idiocy lies in the eye of the beholder,
who assumes that, when one runs,
it means also that one can stand still.
afternoon
I've got a pack of smokes,
my worries and my coat,
no lighter since someone stole it.
the streets are downstairs,
they always are.
they have been always mine.
I've got my legs too,
so I can walk.
I had a night full of bad dreams last night.
I have my delusions.
I thought that deceptions of love
were supposed to consume a person.
when you left me, I was useless,
I drank until I fell, face first to the floor.
but you seem to sleep your nights,
just as well as before.
and I, foolish of fools,
all this time without knowing if I smoke
to die earlier
or if i only need to something to cling on to.
***
it rains now.
modern lady macbeth
we bathe in crispy-white bathrooms,
scrubbed-white bathtubs,
in order to feel clean.
we dine in pretty-white plates,
leaned against very-white tablecloths,
smoked plain-white cigarettes
between sparkly-white teeth.
waiters in washed-white aprons
clean our ashed-white ashtrays
so we can feel clean.
and we do (for a moment).
leaned against painted-white walls,
looking through paned-white windows
hoping for the rain
to wash our not-so-white sins.
but our pale-white hands,
stained with red blood...
they may rest all they want
in bleached-white pillows,
in white-dyed sheets...
those will never, ever
feel a white-cleansing,
water-washing of their sins.
do tempo biológico
não guardo minhas memórias como a maioria das pessoas, por blocos de eventos, como álbuns de fotos. não me lembro se aquele outro dia foi sábado ou domingo, este ano ou o passado. não há ordem cronológica nem linha reta, marcada por traços que dizem se é 1987 ou 2009. lembro-me pouco da minha infância, muito menos do que as outras pessoas conta-me. debulham detalhes de experiências, de momentos. lembro-me de alguns momentos carinhos e de alguns traumas, nada mais além. não foi uma infância infeliz, antes que me falem, foi muito feliz e normal. mas foi no passado. não posso dizer-lhe se troquei carícias íntimas com alguém aos 15 ou 16 anos - pois não foram traumáticas nem memoráveis. apenas foram. não lembro nomes, alguns rostos. mal me lembro de situações trágicas. não recordo emoções senão as de hoje, nenhum ódio em discussão acirrada, nenhum choro de depressão profunda. lembro-me de hoje, de atravessar o sinal. lembro-me do presente de agora e do passado próximo de um minuto atrás. mais provável que lembrarei do próximo minuto que virá assim que este virar passado, esquecendo-me então do minuto que citei a pouco, da emoção que motivava-me a escrever há um minuto atrás. não guardo o tempo em mim.
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