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microcosmos depressional
"If you're always on your way out the door,
you'll never have a place to call home...
(and home will always be too far)"
the art of losing IS hard to master
Algumas coisas foram se perdendo, outras eu fui me desapegando. Alguns fragmentos foram jogados fora, especialmente aqueles tortos, os bambos, os forçadamente encaixados em espaços errados nesse jogo de tetris emocional.
Primeiro foram-se as memórias. Seqüências inteiras descartadas numa edição de momentos-não-tão-cruciais. Coisas que eu jamais esqueceria antes foram forçadas pra fora, abortadas como criaturas defeituosas e indesejáveis. Mesmo com as seqüelas, forço-me a não lembrar. Durmo sem medo. Não sonho.
Em segundo, foram-se os presentes. Joguei fora os dvds que ele me deu, até os que eram previamente meus, porém que assistíamos juntos. Inconscientemente, evito pegar do armário aquela camisa que ele tanto gostava, ou usar aquele cordão que ele elogiava. Cortei meus cabelos também, os belos cachos que um dia enviei uma mecha em carta de amor. Foi-se tudo. Ando pelas ruas.
Por último, foram-se os sonhos. Doloridos eram, mas foram-se sem querer ralo abaixo para a grande e antiga poça das desilusões. Hei de viver assim mesmo, conformada, sem grandes esperanças. Sem promessas. A idade chega, a responsabilidade de crescer. No fim das contas, estaria estagnada nesse mesmíssimo lugar onde hoje me encontro: uma terra adulta de cascas amadurecidas, um ponto de presente vazio, dia após o outro, sem horizonte longínquo ou futuro.
e quando você voltar pra casa,
quem estará lá te esperando?
little quote on being lost
“I had pictured, as a younger man, that the things I knew and would know were bricks in something that would, effortlessly, eventually, shape itself into something recognizable, meaningful. A massive and spiritual sort of geometry — a ziggurat, a pyramid. But here I am now, so many years on, and if there is a shape to all this, it hasn’t revealed itself. But no, thus far the things I know grow out, not up, and what might connect all these things, connective tissue or synapses, or just some sense of order, doesn’t exist, or isn’t functioning, and what I knew at twenty-seven can’t be found now.”
-Dave Eggers, You Shall Know Our Velocity
from tree to tree
pérolas do urban dictionary
self helpless:
- the condition of somebody that is unable to deal with life, usually found sitting around a neglected apartment with bad hair and bad outfit.
Example: "I saw Kenny at our high school reunion, he's still living with his parents and saving up for a camaro ...totally self helpless."
fim do ciclo 20
ontem vi folhas caindo
enquanto meus passos andavam
pra ir buscar o meu amor.
folhas de uma enorme amendoeira,
igual aquela da casa de praia,
descendo do céu azul
como penas de pássaro.
as calçadas forradas de folhas...
tapetes orgânicos secos.
quando eu era criança,
tinha vontade de mergulhar nos montes.
mas minha mãe sempre dizia:
"melhor não. sempre pode ter cobra."
agora eu sou velha, mas ainda sonho.
agora é outro dia. eu olho pela janela
e a árvore que fotografei ontem à noite
(no seu esplendor dourado de outono)
está, novamente, nua e magra.
não sei usar crase
ando feliz. sim, sem medo de afirmar: ando bem feliz.
e não tenho medo também de perceber que não consigo escrever quando estou feliz. na verdade, conseguir, consigo, mas nada que eu goste e ache bom. então, acho que continuarei mais um tempo sem escrever aqui...
(graças ao bom jesus.)
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