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ninguém pode parar
me encontrei andando sem rumo, por ali por aqui pela tijuca, aquelas ruas secundárias onde os trabalhadores descansam à sombra das árvores, as calçadas cheias de amêndoas. eram onze horas da manhã sem tirar nem por, as parecia bem mais. o sol anunciava o meio-dia quente, e o mormaço acachapava minha mente sem dó. estava quente, e com AQUELE mormaço. ai, aquela barreira de ar quente me rodeando, fazendo suar.
mas ainda assim era um dia bonito, depois de tanta alergia e cachecóis, engordativos chocolates-quente com amigos. eu tinha calor, eu tinha luz. eu estava particularmente grata de sentir o sol, mesmo que já com ponta de arrependimento.
porém, andei mais praqui pra perto de casa, visto que havia andarilhado já o dia inteiro. cheguei na rua principal e olhei pra dentro do rio negro, - coitado - poluído. lá no fundo, no fim do horizonte da visão, uma linda garça, branquinha, equilibrando-se naquelas perninhas finas.
ai, que bonita. que sensação de paz. eu suspirei até. porém, só por um momento! suspiro curto que foi, paz momentânea. no mesmo instante que a garça levanta vôo, abre suas mágicas e longas asas, passa um felino morto, boiando no mesmo rio. coitado, sem direito a descansar em paz. se um dia foi amado, hoje não é mais: depois de sua morte foi esquecido e jogado fora, como uma sacola de restos.
terá de ficar inquieto em sua pós-vida, vagando pelas correntezas mórbidas dessa água grossa e preta, enquanto seus carbonos orgânicos permitirem. decompondo, duro e inchado entre os escombros inescrupulosos do lixo doméstico.
assim, ao mesmo tempo, observei o vôo da garça e a frieza da morte, a limpeza branca e a sujeira negra. porém, o sinal abriu e eu continuei minha caminhada. parei de filosofar porque isso era coisa de Clarice Linspector e, cá entre nós, acho ela chata pra caralho.
***
texto recauchutado do blog antigo, re-escrito e re-estragado.
there's something about me that you couldn't tell
and I am always crazy
and you probably don't like that.
capricorn
be little
for now
your time will come before
the earth rotates winter
capricorn
he said
i feel like this licorice
and she sticks so well
oh well
i'm not in your stars
but it's still early
you lie because you're in the bed
be little
for now
your time will come before
the flat earth december
remember
she said
he's so hard to hear
so will i outgrow
well if he says so
you can't look at the sky
without looking right through it
i'm not in your stars
i'm not in your stars
i'm not in your stars
i'm!
not!
in!
your!
staaaars...
outcast
oh, shadow being!
you are so hopeless
hiding behind your veils,
waiting for a miracle.
i guess you have now realized
you are not so happy as you thought you were.
waiting for a miracle takes a long time,
waiting for a miracle takes a lot of fiber.
fiber you no longer have,
patience you no longer feed.
you have grown older.
you have grown old.
oh, shadow being.
i am afraid
you will forever wait
on the outside.
não produzo mais literatura, só pensamentos patéticos. e se eu fosse você, não entrava mais nesse blog ridículo nem olhava na minha cara quando esbarrasse comigo na rua. abraço.
corvo do mal agouro na boca do estômago. tomo um sonrizal?
i have gone mad
i let a legion of questions,
a legacy of doubts
consume my mind.
i spit hairballs
on the 17979 mark
of the train line.
i hear shattered fragments,
unheard voices of the underworld
that speak all at the same time.
unmatched souls, unmatched times.
unbound destinies, unlived lives.
unspoken thoughts, unresolved issues.
what is left of my soul to count?
a soul apart; and that's all.
planos para um futuro próximo
vontade louca de viajar. e de colocar tudo pra fora. não sei quando foi que esse desespero súbito me acometeu, não sei quando foi que essa bola de incômodo se propôs a morar no meu estômago mas está tudo aí. quero viajar. quero juntar meu amor e meus amigos dentro de um ônibus pela madrugada a dentro, ir contando as histórias meio-bêbadas de rodoviária enquanto todos os outros dormem. uma passagem para as 5:30 da manhã (imagino), para ver o sol nascer na estrada. pegar o caderno e kerouacquear as primeiras impressões de tudo e chegar numa cidadezinha mais acima, mas fria, onde eu possa usar meu cachecol enrolado forte no pescoço mas ainda assim possa tomar sorvete com confete depois do almoço, numa sorveterizinha ínfima numa ruazinha de pedra ainda menor, paralela à rua principal.
enfim, a sede de viajar me toma, guardarei dinheiro. amigos que moram longe, esperem meu contato. devo chegar com as minhas malas e minhas pessoas e minhas histórias.
some late night thoughts
here i am, putting old pictures in new folders, choosing the best ones for a future project. anyway, lights turned off, television buzzing behind me softly. these old pictures, good times. we used to laugh so much. our haircuts were terrible too. i laugh at our bad clothes. i cry. i truly do. i am still crying right now. not only for the memories, for the good times or the bad times, for all the skies in between. i cry for my dream, my life that has changed. i just cry for such pretty moments i am glad i have captured. i shed thousand of tears for my old obsession of recording every moment, putting everything in here. i cry because i have lost my passion, my gift for the arts... i wet my keyboard without knowing if i will ever find it again.
but i guess i'll stop now. and i guess i'll put my batteries to recharge too.
(um choro)
depois de tantos anos das minhas portas fechadas, fui forçada a abri-las. trancadas elas estavam, guardando dentro todo o ar velho e a segurança. mas abri as portas. abri para vê-la do outro lado, em prantos, as malas prontas. em meio aos soluços ela me disse: "estou tão só. estou tão só.".
e vi no momento-tarde-demais que havia se passado todo esse tempo negligenciado entre nós. a convivência humana havia estagnado entre um agir robótico e frio, entre um tosco e sombrio apartamento. não restava nada mais lá além das lágrimas dela, meu choro engasgado e o silêncio do inverno frio.
"estou tão só". e estávamos. as duas. creio que eu sempre estive, porém ela não. antes ela ainda tinha uma ilusão acompanhante, uma esperança insistente que agora morrera. sobrara só aquela sensação de peixe neurastênico e claustrofóbico, aquela vida de aquário: fechada em paredes de vidro, sempre as mesmas pedras, as mesmas estátuas... comida de manhã, luzes artificiais a noite. nadando, nadando sem propósito a não ser manter-se viva.
"estou tão só. estive só todo o tempo. morreu meu sonho. estou de malas prontas, vou embora. não agüento mais estar tão só." que direito tinha eu? nenhum. abri então a porta da rua, deixei-a ir. fechei as portas e as janelas agora, fechei tudo. deixei-me ir. estou tão só... como desejo estar.
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