mary ann, arthur and jenny

i observe the paths of young love:
so complicated, so entwined.
mixed signals for the colorblind,
pictures for the blind man's eyes.

to me, they are so simple
(since i've been there, done that!
back in the day when i was young):
she loves him, he loves someone else
that has heart only for frivolous things.

and he changes,
and he tries to get closer,
he spends time and money on HER.
and she tries to approach him,
sends notes, love letters
that he doesn't even see.

but of course, nothing is ever explicit!
young, like they are, have no courage.
they are the solitary apprentices
of the silent art of never asking.

she has no eyes for someone else but him.
he has no eyes for someone else but HER.
SHE has no eyes for something else but
those damn expensive new shoes.

so complicated, so entwined!
songs for the deaf man's ears,
poems for a lost, unreadable world
full of disconnected people.

it is so sad.
all the subtext, the lines between the lines!
where are they getting? nowhere!
what are they hoping for? a miracle!

(so subtle, so ineffectual.)

he tries to send signals
but SHE doesn't, and will not ever see.

and she calls him on the phone
but he can't answer...
he's busy on the other line
telling HER how was his day.

and she cries while at home,
grasping at some silly sign,
and he cries alone,
smothering a heavy sob...

he dedicates a love song to HER,
and he sends HER a friendly message
(but with all the second intentions),
hoping that SHE will see the truth
behind the words "my dearest friend,
i love you."


pós-moderno



o menino se questionava sempre, no silêncio solitário de seus botões, se ele não estava vivendo uma existência ilusória, uma tragicomédia criada por ele e para ele. questionava os papéis de seus amigos, se suas falas haviam sido previamente decoradas, enfim, questionava cada passo com paranóia e medo de, um dia, essa sua novela terminar.

o cancelamento de sua novela, o cancelamento de sua vida. o menino questionava também, no silêncio solitário do seu quarto, em vista que o fim era inevitável, se deveria encerrar sua carreira com classe e choque. jovem e bonito, bem visto: James Dean da era pós moderna. ponderava se deveria jogar(-se) o protagonista na frente do carro mais próximo. mas morria de medo de não matar-se(/morrer).

perguntava-se sempre: "se eu matar meu personagem principal, estarei tirando a vida de meu próprio corpo ou apenas trazendo um fim fictício trágico para o meu simulacro?"


pillowtalk/thoughts

underneath the snow
and white starlight glow,
underneath the covers,
underneath my bruises
- black and blue -
there is room under it all,
room for me and you.


as palavras (a)guardadas (-life-lines-)



às vezes, o que é a corda que prende para um é a tênue linha de vida do outro.


O Artista da Fome

- Tinha desejado durante toda a minha vida que admirásseis minha resistência à fome - disse o jejuador.

- E a admiramos - retrucou-lhe o inspetor.

- Mas não devíeis admirá-la - disse o jejuador.

- Bem, pois então não a admiraremos - retrucou o inspetor - ; mas por que não devemos admirar-te?

- Por que sou forçado a jejuar, não posso evitá-lo - disse o jejuador.

- Isso já se vê disse o inspetor -, mas por que não podes evitá-lo?

- Porque - disse o artista da fome levantando um pouco a cabeça falando na própria orelha do inspetor para que suas palavras não se perdessem, com lábios alargados como se fosse dar um beijo -, porque não pude encontrar comida que me agradasse.


maximo park

"Behind your veil I found a body underneath;
Inside your head were things I never thought about."


pervert's confession kkk

at first, of course, it was like the sky. sure... everything was baby blue, soft, sunny, smooth. it was warm. infatuation, that's the best word for what it was. then, damn... it took over, i had no control. it was obsession. but then, once again, i had no fault: it was like a cloud, you see? i just couldn't understand why i could see it yet could not grab it, not allowed to hold it between my fingers.

i just wanted to touch it!


Úrsula Buendía

"Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez pra tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
- Porra! - Gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? - Perguntou alarmada.
- O quê?
- O animal! - esclareceu Amaranta
Úrsula pôs o dedo no coração.
- Aqui - disse."

Gabriel García Márquez - Cem Anos de Solidão


o mundo continua me irritando

gostaria de saber que merda é essa agora que, toda vez que alguém cita uma frase bonita ou um ditado dos tempos do ronca, logo vem uma criança pseudo intelectualóide qualquer, mal saída do pré-vestibular e das fraldas, que nunca leu um fernando pessoa ou algo que valha, colocando logo o dedo em riste na cara de outro e, rolando os olhos em expressão de desdém, vai na modinha americana de '*sicker* "you're so overrated! that's soooo last week!"'

voltem pro fotolog, okay, crianças? esse é o mundo que nós demos pra vocês, o espaço onde vocês merecem ficar.


-- mercedes --

all I needed was a simple hello, but the traffic was so noisy that you could not hear me.

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-- oh, hi --



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