"Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir."


bolívia

eu já não sabia se estava pisando em céu ou em mar... na verdade, estava confuso por causa do excesso de sol na cabeça, desnorteado, era tudo luz. refletia, muito branco, nos meus olhos. machucava... as feridas das minhas mãos ardiam de escavar os montes de sal.

eu estava seco, atordoado. o horizonte não tinha limites... e era bonito. mas eu estava confuso, tão confuso, sem chão.

um mergulho para refrescar.

como um tolo... mundo de cabeça para baixo. o céu nos pés, a cabeça dentro d'água. muito sal, montes de sal... eu estava afogando.


(desenterrando)

wounds that once seemed fixed
now feel again like unhealed scars,
and what was once starcrossed
now is not even near the stars.

promises once left unspoken
are now broken; i know that they are!
and the word is soft, it has good intention,
but it can not mend the heart.

so i say never, never again:
and it's my best decision so far.
'cause all forms of life that were so pure
now are tainted - filthy they are.


into the wild (os relatos esquecidos pt. 1)

finalmente é o dia e o lugar. o sol, infelizmente, já nasceu, porém até que ele está bonito e frio, o céu está límpido, refrescante. eu ainda não dormi que nem meus companheiros, nem pretendo. prefiro encostar minha cabeça na janela, afastar as cortinas, olhar os carros ao lado. gosto desse privilégio de estar acima, uma visão aérea dos dois metros de altura do ônibus. daqui posso espiar as pessoas, suas famílias, passar o tempo no engarrafamento.

muita gente dorme, amassada, bancos de passageiro desconfortáveis. um cara solitário para bem aqui do lado, viaja com o cachorro. talvez ele não seja solitário, talvez alguém o espere em seu destino. uma mãe neurótica fuma um cigarro, perdida entre tragar, buzinar ou gritar com as duas crianças indisciplinadas que estão no banco de trás.

já aqui dentro do ônibus tem um cara desconhecido, sentado no banco ao meu lado. poltrona 37, corredor. os outros viajaram em pares, eu fiquei como ímpar. me resta meu destino: o moço loiro, nem bonito nem feio, meio gordo, olhos verdes. casaco. inquieto, tira um bloco pequeno do bolso e desenha, página e mais página. não vejo o que ele desenha. troca de pernas, liga o ipod, percebe o engarrafamento e bufa. guarda o caderninho e fecha os olhos pela primeira vez. melhor assim.

na ponte estamos. parados. provavelmente ocorreu um acidente à frente, tudo normal. olho a janela de novo, resolvo fechar os olhos também. a viagem mal começou. silêncio mortal na primeira viagem da viação 1001 do dia, primeiro carro, 5:15 da manhã. penso no provável acidente à frente. imagino as coisas, como se fosse com meu próprio veículo. sem sobreviventes - eu imagino. ai angústia. a morte libertaria, porém. arrepio... fecho a cortina, chega. que cheguemos lá bem, e em breve. e que seja doce - o mantra. repito sete vezes.


-- mercedes --
nefelibata

do Gr. nephéle (nuvem) + bates (que anda)

adj. e s. 2 gén.,
pessoa que anda nas nuvens.

-- links --
barbosa
beat 1979
cés
fábio
fabrício
iuri
johnny
jun
justin
leo
lisardo
livs
marco
marcus
olga
terapia invertida
tristessa
vitor
vlad

-- oh, hi --

-- archives --