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MENS
- "mas porque você não tenta, afinal?"
- "tenho medo."
- "de quê?"
- "é que nem aquele cara que tem o sonho de conhecer as pirâmedes do egito, mas ele nunca sequer mexeu um músculo por isso. sabe como é... se ele finalmente conhecesse as pirâmedes, ficaria sem sonhos..."
-- Mercedes | |
he wakes up and realizes he has nothing else
"and this is how you've made me it: your new smooth, slick, desire-operated toy, with all the brand new features: romantic (yet sexual), pretty (yet smart), among so many others functions. custom made too, since i'm built for your pleasure and your pleasure only. see? you've made me it, your boy, where you wind me up when necessary, turn me off when no longer wanted.
machine. no other life beside living to please, no other function other than giving - never taking - bending, eager to satisfy. machine that does not need to be fed or taken care off, expensive, robotic, love device so young and so fresh.
it's ok. this is how you've made me it. so push play and make me dance until i start to wear off. i don't mind. just don't leave me in your corner turned off for too long, or find some other new toy. wear me off until my final hour, until i break;
and please remember that i am yours and yours only and, as an eletronic just like the others, i merely have this automatic function, being usefull for nothing else. so please, break me, but don't consider me obsolete."
-- Mercedes | |
about the other
no need to lie
now that everybody knows
that i was out and about
with that new girl
that you call yours
and her new boy.
ok.
the need to lie,
say that you didn't know...
doesn't make you less than a man
not to show
that it DID hurt.
but now let's move on.
-- Mercedes | |
cold and broken hallelujah
um fim de semana de cigarro e álcool. cigarro e álcool. o álcool nem tanto, pois dá mais fome e cansaço do que alimenta, mas o cigarro sim... aquela satisfação da fumaça no pulmão, ela enche, esquenta... sem contar que te dá algo pra fazer com as mãos nervosas, vazias, que já estão cansadas de ficarem cruzadas sobre o colo ou de batucar. toma aqui, cara, ainda tem meio maço. toma o isqueiro, acende e traga. dá uma tragada longa, vai te relaxar. é mentolado esse cigarro, muito tranquilo.
enfim, você quer mais uma dose? eu sei que vodka dá fome e que é meio enjoativo... você parece meio verde, está passando mal? mesmo assim, mais uma dose? vou tirar a garrafa da mochila... toma, cuidado com o gargalo. se essa te der fome a gente sai pra jantar, passa aqui ou ali, onde você escolher, e come. seria realmente bom a gente comer alguma coisa, não? estamos a muito tempo de jejum, ajudaria na ressaca que está por vir... é, eu sei que tô falando pra cacete e tô falando sem sentido, mas é que eu realmente não sei o que falar. não me olha com essa cara, por favor. calma, deixa eu secar essas lágrimas... por favor, para de chorar. eu sei que está doendo e que esse tipo de coisa não tem botão de desligar, é o coração e vai doer mas para de chorar. eu já não tinha o que falar antes, agora tenho menos ainda. me desculpa por não ter palavra de consolo nessa hora mas é que eu realmente não sei o que eu posso dizer que vai te acalmar ou te dar mais resolução.
você quer um momento de silêncio? eu acho melhor eu me calar agora. pensa em um lugar pra gente jantar, eu pago, tô te devendo aquela grana mesmo, desde a semana passada. deixa eu acender um cigarro aqui. quer outro? não? vai, toma, dá uma tragada do meu... é, é melhor a gente não fumar mais aqui dentro, daqui a pouco alguém reclama. mas pra que essas janelas fechadas? só por causa dessa chuvinha? é, eu sei que não pode fumar em ônibus, mas não tem quase ninguém aqui dentro... é, é bem tarde. como é que a gente veio parar tão longe? somos loucos, isso somos, ficando totalmente bêbados a duas horas de casa, em uma cidade desconhecida, sem pai nem mãe nem amigos, em uma festa cheia de estranhos... meu deus, a gente podia ter morrido e ninguém ia saber. mas estamos bem, estamos quase em casa. vai, amigo, chora. desculpa pelo descontrole, chora. eu sei que tá doendo, e eu só posso te dizer que vai doer. isso não é muito promissor, eu sei, mas é a verdade e eu não posso mentir pra você. isso, segura minha mão, eu vou me calar agora.
-- Mercedes | |
anthology
verei o dia da sua ruína. assistirei de pé enquanto tudo que é de seu domínio rui, escombros projetados diretamente para o chão. veja bem, meu amor, não há outra escapatória... a rotina faz tudo muito claro, faz os sinais translúcidos - tudo aponta para o fim inevitável e trágico que está por vir.
assistirei a sua ruína, meu amor, e não assistirei feliz. antes só minha ruína fosse, do que a tua, mas dessa vez tudo será de nós dois. tua ruína será a minha, mas não é isso bem o que me entristece. pouco me importa o que me acontece em vida, o que é do meu íntimo, o que cabe a a mim e a mim só... realmente, no fundo, o que me devasta é o fato de não ser, para você, o pilar como prometi, não ser a rocha que segura.
então, depois da ruína, meu amor, sobrará para mim ao menos o lugar de sempre, e ele apenas: o de catar os cacos, retirando o que ainda vive e sofre de debaixo dos escombros, remediar, às pressas, as feridas. retirarei, novamente, as farpas incrustadas na sua pele, meu amor, e, sem medo ou repulsa, deixarei o sangue todo cair na minha boca...
-- Mercedes | |
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