hey, mercedes!
"Don't you want to join us?" I was recently asked. "No, I don't," I said.

antes eu achava que tinha uma grande pedra no caminho da minha felicidade.

agora eu vejo que, na verdade, existem pedras sim, mas elas são pequenas e estão bem dentro da merda do meu sapato.

elas são bem bem bem miúdas, e ficam roçando, ralando, fazendo bolhas. o meu sapato é apertado, e eu estou sem meias também. insuportáveis.

< okay, fim das minhas idiotices agora >

-- Mercedes | 23:16 |

(sinto saudades
de ler Kerouac,
escrever livro dos sonhos,
escrever pequenas e toscas histórias
e de bebedeiras

já das pessoas... também sinto.
mas prefiro não dar o braço a torcer)

-- Mercedes | 22:33 |

acordar

essa noite eu pretendo dormir tranquilamente, embaixo das cobertas quentes, com o gato ao lado do travesseiro, e aqueles bigodes coceguentos bem na minha orelha...
e pretendo sonhar.

afinal, já cantou Morrissey: "I had a really bad dream. It lasted 20 years, 7 months and 27 days."

(aqui foram 20 years, 2 months and 3 days -- mas vocês entenderam a idéia.)

-- Mercedes | 22:30 |

"she don't love me like you"

i liked my old me better

(now i like how ironically she was
the young me)

-- Mercedes | 19:02 |

i need some fine wine

Está chovendo de novo, a cidade está debaixo de casacos e guardas-chuva. São nove da manhã e o céu está cinza e preto, em faixas pintadas e difusas, com nuvens pesadas e ranzinzas.

Meu pé direito, aquele que eu torci em 2002 numa bebedeira, não gosta da chuva: a umidade faz ele se sentir esquisito, dolorido, mas isso é, de certa forma, meio mágico -- eu sempre sei quando vai chover.

É cedo demais para estar aqui, sentada nessa praga dessa máquina, escrevendo qualquer tipo de coisa, visto que meu cérebro ainda não deu a ignição necessária para eu conseguir formular algo que faça sentido. Mas, de certa forma, me sinto mais “pura” assim: vou escrevendo mesmo o que vem na cabeça, sem o véu da vergonha, da preocupação tola de escrever uma baboseira qualquer que agrade.

Me falta café, café. Me falta um banho também. Acabei de olhar minha cara no espelho e, definitivamente, já tive melhores dias. Olheiras GORDAS.

Está tocando Duke Ellington agora. “Take the A Train”, linda, linda. E o telefone não para de tocar, cismando em interromper... é muito cedo pra telefonar ainda, gente! Familiares sempre telefonam cedo, impressionante - familiares não dormem. Já as pessoas interessantes que não dormem, telefonam cedo também, mas estas estão bêbadas às 5 da manhã.

Hoje vai ser um dia estranho. É como se tivesse um goteira no meu cérebro e, com essa chuva, ela não parasse de pingar...

-- Mercedes | 10:05 |

does not feel good on the EGO

empolgações infantis
sempre acabam em
decepções BEM adultas.

-- Mercedes | 00:09 |

i'm afraid of everything

não creio que esteja sofrendo de "bloqueio criativo".

acho que, simplesmente, tudo já foi dito e não me sobrou nada pra dizer.

afinal, a humanidade já está aí a não sei quantos mil anos dizendo tudo, cantando as canções, reclamando do amor e da vida... quem sou eu pra querer adicionar algo inédito? e quem disse que tem alguém aí fora que ainda não ouviu toda essa lenga-lenga, que está disposto?

andava dando muito importância a tudo isso...

... mas meu pensamento é só mais um no meio de todos. me escrevam vocês.

-- Mercedes | 12:10 |

stop smoking!
cigarrettes make you feel empty on the inside.

so, at least, use this cloud of smoke to hide
the frown and the bad feeling
that this dancefloor causes you.

-- Mercedes | 21:49 |

moderna invenção chamada telefone

caros amigos que, de uma maneira ou outra,
partiram e ainda não retornaram:

não me deixem esquecer
como soam suas vozes.

-- Mercedes | 15:55 |

dvn

underneath my warm bedcovers,
dreams.

such
unsettling images,
non-stopping
figures.

what is what it seems?

n o t h i n g.
only

imaginary
(yet very satisfying)
arms, legs
and things.

-- Mercedes | 11:46 |

plenitude

quero fotografar árvores. sentir o cheiro da grama, sua textura. quero te guardar em abraços, beijar os seus dedos. tudo isso num picnic, com sol e céu azul.

caso seja um dia de chuvinha peneirando, quero guarda-chuva e seu sorriso. e meus amigos. e os amigos dos amigos também.

procuro o mundo. e uma linha de trem abandonada, com capim crescendo entre os trilhos. joaninhas. e que esse mundo seja doce como tarde com chá, chocolate, janela e brisa.

-- Mercedes | 02:09 |

junkie's prayer

looking forward
to sharing
our brand new
rehab stories.

-- Mercedes | 17:52 |

uma hora ou outra você ia ter que me ver partir.
lá vou eu.

-- Mercedes | 10:41 |

the neck
is quite the new (best) thing

-- Mercedes | 23:56 |

grrrrrrrrrr

quanto mais ando de ônibus, menos quero conviver com humanos.

geralmente, tenho uma cota de uma pessoa mentalmente desequilibrada por dia no transporte público. está certo que também não sou completamente sã, mas todo dia, seja na ida ou na volta, pego um maluco no mesmo ônibus que eu.

mas hoje de manhã, só porque eu já tive que correr atrás do 247 às 7:30 da manhã (que não é digno), tive de bônus não só a cota diária de doidos no transporte coletivo, como tive dois. DOIS loucos. não é possível. era muito cedo ainda, ter que aguentar essas coisas naquela hora indigna da manhã é castigo divino.

um dos malucos estava sentando bem lá na frente, no banco ao contrário. eu sentei no banco alto pra olhar janela e tudo mais, e o cara lá, com a cabeça pra fora da janela, falando sozinho sem parar. passou os 30 min da viagem murmurando coisas sem sentido... de vez em quando ele se empolgava e gritava "Porra!". mas ele tava lá na frente, ao menos, doido ou não, estava longe.

mas, pra minha sorte, tinha que ter alguém bem do meu lado pra aporrinhar. tava sentado um velinho, com cara de aposentado bebum, no banco alto ao lado, camisa social aberta, barba por fazer... e ele cantava. acho que não cantava nenhuma canção específica, era mais uma canção de loucura mesmo, que ele ia inventando conforme o cenário.

ali do lado do rio maracanã, ele viu uma garça, e batucando no banco (SEMPRE batucando), ele ia cantando uma coisa, mas não dava pra entender, ele cantava pra dentro... murmuraaaando, meio que rasgado do fundo do estômago, até que ele soltou um agudo "gaaaaarrrça... com a perna fininha".

nessa parte eu tive que rir. cacete. quem canta os males espanta é o caralho. tá muito cedo!

enfim. um delírio. e ônibus não é de jesus. ficadica.

-- Mercedes | 11:54 |

"Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado."

finalmente desenterrei aquela caixinha de madeira marrom depois de tanto anos de temor. resgatei-a lá do fundo da terceira gaveta da escrivaninha, onde mantinha-a escondida, refém do escuro. tenho medo e adoração por esta caixa, como uma caixa de pandora: dali pode sair tudo que for do bem ou do mau. abri. abri! está aberta agora, aqui na minha frente.

estou relendo suas cartas para mim. depois de tantos anos, elas parecem mais doces, tão mais bonitas. por mais que sejam apanhados de tolices cotidianas e flertes indecorosos, foi tudo pra mim e me faz sentir muito bem. não sei porque, não sei realmente, porque continuo apaixonada por você. era bom, no passado, mas e hoje?

sei que não é sua beleza ou sua inteligência ou seu charme (que lhe falta) as coisas que me pendrem, não sei. continuo te amando pelo exercício de te amar, creio eu, mas acho que me engano... pois, depois de reler essa sua última carta, percebi que amo aquele que você era naquela primeira vez, naquela primeira carta. e, toda vez que te beijo, acho que penso nos lábios daquele antigo-ele em vez dos do atual-você...

porém, mais uma vez, pode ser miragem.

-- Mercedes | 08:12 |
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