| |
leisure suite
bem que hoje podia ser AQUELE sábado, essa ressaca ser uma de cerveja alemã, esse quarto ser um chalé em Petrópolis, e eu acordando com você nos meus braços, seu rosto escondido no meu pescoço, e aquele friozinho da serra...
-- Mercedes | |
mistérios
às vezes gostaria de ouvir os seu pensamentos, para sanar a dúvida, para saber se você realmente não vê e não entende ou se se faz de bobo, na cara dura. mas, para falar a verdade, não gostaria REALMENTE de poder ouvir. tenho medo da verdade, apesar de achar que sei, a maioria do tempo, de tudo -- na verdade, eu sei que verdade é essa minha, e sua, essa verdade absoluta, mas morro de medo de ouví-la, da sua boca, com sua resolução.
enfim. outra coisa que gostaria de saber de você: como és capaz de amar um buraco de vícios, sem nenhuma virtude, como eu?
-- Mercedes | |
[ vejo aqui uma constante repetição de temas. percebo isso. me canso disso também. mas, no fim das contas, se puder falar pra sempre do meu amor e da minha cidade, estarei falando de tudo (e de nada) -- ou pelo menos do que me move em vida e me interessa. ]
-- Mercedes | |
gatilhos
gosto da madrugada do meu bairro. gosto da plena sensação de paz da bebedeira desacompanhada, da solidão das ruas sem carros, do silêncio fino que se sustenta no ar. é tudo muito fresco, e eu vou andando torta pelo caminho de volta pra casa. agora tenho a sensação boa do elemento de perigo, da parte escura do vizinhança, das pessoas que passam apressadas, olhando para baixo. a simples noção de que causo medo em alguém que passa ao lado é boa, psicótica e malajustada. durante essas horas da manhã de paz, a cidade mal parece uma cidade. essas poucas almas penadas que passam assustadas, os garis que varrem -- gosto dos poucos personagens desse enredo frugal, dessa cena que se repete, com sucesso, sexta após sexta, bebedeira após bebedeira.
então, só pelo prazer de gritar, grito. uma patrulha policial passa, apagada, do meu lado. ninguém fala nada, não vejo ninguém.
penso aparecer na sua casa do nada, mas na verdade, não sei seu endereço. sei, no máximo, de um ponto de ônibus ou de uma estação de trem. telefono então, de um orelhão meio vandalizado, não pelo prazer de chatear, mas por saudade de ouvir sua voz. você atende, entediada, zangada e aliviada. manda eu dormir pra passar a bebedeira e que sente saudades. eu sinto mais saudades, mas agora posso ir pra casa.
quebro a minha garrafa de cerveja no concreto, só pelo barulho do estilhaçar. assisto a cascata de cacos marrons caíndo pra dentro do rio. um mendigo acorda, levanta a cabeça, me olha e volta a dormir. ele me entende. chego no portão da minha vila, penso no primeiro beijo que dei no ponto de ônibus, ali do outro lado da rua.
a sensação da madrugada do meu bairro é macia. a do álcool, mais ainda.
-- Mercedes | |
sábados de manhã
sentara ali para escrever o escrito de sua vida, um conto que iria mudar o mundo como hoje o conhecemos. um conto que iria além do bem e do mal, uma obra no patamar dos clássicos que consumiram a sua infância, quando perdeu todos os dias da flor da sua juventude imerso em literaturas -- suas únicas mulheres, as Balzacquianas, seus únicos homens, os pré-socráticos.
então, munido de café e cigarros, se sentara para escrever o conto da sua vida, a compensação por tudo por ele assimilado nesses seus 22 anos. sentia-se velho e cansado, consumido pelo tempo, carcomido pelo trabalho precoce.
usaria a literatura ao seu bel-prazer. seria o seu elixir de sua juventude, aquele conto, seria como re-encarnar Ponce de León. enfim. sentara-se pra escrever o tempo, o amor e a morte.
porém, após escrever e escrever, ao colocar o ponto final na sua magnífica obra, percebera que aquilo era medíocre e falho. só então, depois de 22 anos de pré-conceitos, percebera que ele nunca usaria a literatura para si, e sim que ela o usaria eternamente para ela...
-- Mercedes | |
duas e quarenta da manhã
ai amor to bebum queria falar com você mas mal consigo digitar eu te amo e te quero beijos nao me odeia te quero pra sempre
-- Mercedes | |
trivial
- e se eu me apaixonar?
- não pense no pior.
-- Mercedes | |
(todos os meus amigos são chatos)
(e eu sou ainda mais)
-- Mercedes | |
endings
Já não tinha mais o apreço de antes. Não se levantava mais cedo para pentear os cabelos e escovar os dentes, só pelo cuidado de ser a primeira (e mais bonita) visão nos olhos dela. Já não tomava banho com sabonete de lavanda, não se perfumava com esmero quando ia vê-la, não trazia rosas e outros pequenos mimos sempre que possível.
Já não a achava também mais tão bonita nem tão interessante, mas continuava amando-a como a primeira vez que havia amado (bem, talvez com um pouquinho menos de intensidade).
Ela também não percebera o fim desses pequenos detalhes, afinal, nunca havia percebido nada. Era assim que ele pensava, ao menos. Ele preferia pensar assim a pensar que ele cuidava de tudo e ela percebia, porém nunca nem se dava o trabalho de comentar.
Enfim. Ele culpara o novo emprego e novo horário, aonde não havia tempo de sobra para os pequenos detalhes, culpara o tempo que se passara dentro do relacionamento, apagando o furor dos recém-apaixonados. Depois, pensara menos em pequenas desculpas e culpara a si mesmo, depois a ela.
Até que, um dia, com o pior hálito matinal do mundo, fora até a cozinha, desviando dos sapatos dela (que estavam jogados na sala) e, pegando uma xícara de café, se encontrara totalmente desapaixonado. Resolvera então deixar um bilhete explicando o ocorrido, embaixo de um bolinho de chocolate que ele comprara especialmente para ela no mercado.
Porém, dando de ombros, mordeu o bolinho, amassando o bilhete e arremessando-o diretamente no lixo. No momento, só podia pensar: "Para que a delicadeza? Ela nunca perceberia mesmo..."
-- Mercedes | |
untitled
Oh, Lord, I try not to break it
And I try not to bend
Her (too much).
I try, every time,
To do good in the end
But, oh, Lord!
I ended up doing wrong
(again)
And now there is no song
Good enough...
So, God, help me send
A good word
That will help me mend
The-so-hard-to-find
heart of this friend.
-- Mercedes | |
i had no choice
i was underage
-- Mercedes | |
msn é uma merda mesmo. eu fico aqui, olhando pra esse nick idiota seu, pensando no quão idiota você é, me corroendo pra te perguntar porque você me deixou plantada te esperando aquele dia e, ainda assim, não tenho coragem de te excluir.
vai se foder, cara. me poupa desse sofrimento de ficar te olhando online, te achando bonitinho e ordinário, e me bloqueia. e aproveita e vai se foder. MESMO.
-- Mercedes | |
tarde
como sempre, eu estava esperando alguém. acho que nunca fiz nada ou fui a lugar algum sem companhia e me orgulho muito disso (porém, secretamente, me culpo pela dependência estúpida e solidão premeditada), então, lá estava eu, no meio do hipermercado, esperando...
havia me esquecido o quanto gosto de mercados, daqueles corredores imensos e tetos ainda mais altos. me sinto novamente como uma criança, pequena diante da perfeição das prateleiras e dos corredores, coloridos, bem arrumados do chão muito branco e do teto inalcançável. pode chamar de TOC, mas a simetria dos mercados não causa sensação de paz de espírito?
enfim, passei por todas as sessões. me sobrava tempo então olhei todos os títulos fajutos da sessão de literatura, escutei cds, senti o cheiro dos pães recém assados, dos queijos sendo fatiados e de tudo mais. resolvi comprar canetas e fui pela sessão escolar, depois pela de brinquedos, olhei os preços dos bons vinhos, zigzagueando e escutando sempre aquela musiquinha de elevador que toca, lá no fundo, também nos supermercados.
aproveitei a paz e o silêncio de uma tarde de quinta-feira e me sentei em um banco na sessão de ferramentas e pensei em tudo e em nada, refletindo em frente às estantes de chave-de-fenda. me vi nos espelhos depois, apertei todos os botões na sessão de eletrônicos, dancei o moonwalking na sessão de cristais, só pelo gosto do perigo.
depois, cansada de ser serelepe, terminei a espera em uma cadeira de praia, em um jardim de grama e drinks falsos, na sessão de churrasqueiras...
-- Mercedes | |
bedrooms
I want to use your body as my mattress
And lay you down, put you to sleep,
So I can lie on top of you:
I will pin you down, and I will let you in.
I want to use your shoulder as my pillow,
In a room light enough so we can barely see
Each other, in a horizontal hug:
The length of you under the length of me.
I want to use your skin as my blanket.
(Since it is, almost, as smooth as silk)
And I will count all of your bones
to whisper in your ear: oh! two-hundred... two-hundred and six.
And I will use my fingers as my eyes,
Touching every part of you in a pleasure-seek
That is never-ending, and tangling, entwining...
So, when finally tired,
I can wait until the sun is shinning,
And rest my head to listen to your heartbeat,
As it sings me smooth, sweet songs
That - only them - can lull me to sleep.
-- Mercedes | |
"I / I can remember / Standing / By the wall"*
e quando eu voltei, andando, quando vim voltando pra casa, as ruas eram todas minhas, os prédios eram todos meus. tudo me pertencia e não existia mais ninguém. as ruas estavam vazias, o bairro desolado... escutei, pela primeira vez, silêncio na avenida, nenhum motor ou buzina. nada.
a sensação que eu tinha era de que todas as pessoas haviam sumido e só havia sobrado eu e você, aqui e lá.
e mais silêncio. eu continuei andando, pelo meio da pista, o asfalto estava meio molhado: até a chuva havia sido suspensa nos céus. o mundo havia parado definitivamente sua rotação e o relógio central não mais se mexia. os ponteiros estavam no abandono estático das 22:36... e nem o vento mais soprava.
minha pele parecia em chamas, meu suor pingava. e as luzes eram fortes ainda, minhas pupilas sensíveis, retraídas, se apertavam. a cidade se conservava acesa na frente dos meus olhos, todos os postes, as vitrines, tudo me cegava. a luz era tudo que restava.
(mas posso estar errada, podia estar tudo apagado mesmo, transformadores explodidos, e essa sensação de iluminação ser apenas toneladas de fogos de artifício explodindo na minha mente.)
---
* David Bowie - Heroes
-- Mercedes | |
The Devlins - World Outside
Tell me your secret
What you desire
I will still be there for you
And tell me you need it
Tell me something you're not
I will still be there for you
And say you believe it
All of your lies
Tell me you feel it
And don't compromise, oh no
I will still be there for you
Your light in my dreams
Light up my skin
You're so far away
You're holding it in
I'm looking around
Watching it spin
Got my world outside
It's changing
Something within
Tell me you'll reach it
Some of the time
What you're searching for
Cos the love that's around you
Gets you down
Kick you to the floor
So tell me you see it
With your own eyes
Tell me the sky is falling now
In your world
I will still be there for you
Your light in my dreams
Light up my skin
Waiting so long
Time to begin
I'm looking around
Watching it spin
Got my world outside
It's changing
Something within
So tell me the reasons
Show me the signs
Say you desire me
Desire only now
In this world
It's our world
Your light in my dreams
Light up my skin
You're so far away
You're holding it in
I'm looking around
Watching it spin
Got my world outside
It's changing
Something within
It's our world
Time moves on
And time moves on
In our world
***
he-heeeeeeeee. *para curar o bloqueio poético*
-- Mercedes | |
âncora
se necessário,
faz do meu corpo
teu porto
seguro
e ancora teu barco.
-- Mercedes | |
let it die (and be born again)
"Night is a world lit by itself."
- Antonio Porchia
damn these cold streets we have to walk, every night, in our search for something new to do. routine, un-routine, we walk the sidewalks - me, johnny, mary, ann, jules, hugh and many others, we just walk and talk and laugh and make those that are soft-sleeping on the apartments above our heads go mad, have the rough awakening with the noise. that is our midnight hunt, walk walk walk, have a sip of bourbon and walk a little more, young people's walk, careless and restless.
now i'm walking a little bit apart, in between the boys' group and the girls' one, paying attention to none of the conversations. my black, heavy parka is not warm enough, goddamn, my fingers are frosting in this crazy -3° C at one am, at any city street. i take my hands out of my pockets and someone hands me the bourbon bottle and i take a long, nasty sip, the bitter taste burning down my throat, so bad yet so good. good lord, i wish it wasn't so cold.
yet, we keep on going. johnny laughs at a dumb joke and hugs me by the shoulders, open smile, taking the bottle away from my hands. he takes the cigarette pack out of his pocket and automatically places one cig in-between my lips, lighting a smelly, old match, making smoke come to my eyes. he lights mine, then his and we go, blowing out the white smoke from between our coats' collar, that are raised high enough to warm up the cheeks. my teeth are hurting, my jaw is a little numb from the smoke. we cross a street while still on the red pedestrian light.
so, about tonight: we're going to this old buddy's house, nice comfy place to finish this bottle and some cig's fags, cook some fried eggs, eat them with toast, nothing big, nothing much, just an escape from the good old boredom that is home, typical home - dad in the living room silent, mom unhappy in the kitchen, kid going neurasthenic - simple things. yet, anyway, let me tell you about this buddy of mine, he's house-owner at the age of 24, a good kid. altought he had no parents, a mom dead when he was 6 and an absent dad, raised by grandma's and uncles, he turned out right, great kid, kind heart, light mood, raised on the green, calm fields of the rural area, not poor and not rich. became a good fella, good enough to welcome a bunch of loud vagrants like us just for the kicks.
so we get to his front door, me lost in these thoughts, body almost buried in my coat. i fucking wish this was a second skin, 'cause good goddamn, it's cold outside tonight, girl. his house is way too good, at least for me and my cheap-ass booze and crazy friends. i take off my sneakers but keep my socks on, the rest of the kids unlace their heavy, dirty snow boots 'cause they are way too ragged to walk on this pretty house wooden floor. my toes must be turning blue, and the house-owner comes with salvation in a bottle, temptation on a glass, he's bringing a fine red wine and so he tells us, after popping of the cork, that he's putting the best coltrane he owns, that we should go into the kitchen and get the damn house-party started.
we better, we better. i light up a cigarette and hold my breath, breaking eggs directly into a hot, buttered pan and the smell is so good all the gang is now at the kitchen door, one lost soul looking inside from the living room window, all of them coming like hungry stray cats ready to be fed by old nanna. eggs on a toast, lots of spices, chili, and wine. i wish my good old auntie was still alive, god bless her soul, and that we had for dinner tonight that old italian mammas spaghetti with garlic bread and red sauce, lovingly drowned in old virgin olive oil. but i am not complaining, god no, i was very well welcomed here, like a great king by this great heart, by this buddy, he gives me his food, to me it's a feast, when i don't even deserver his considerate thought. after all, what am i? nothing more than king of vagabonds.
and coltrane sounds. i like davis better, mr miles davis and his crazy dancing beebop, all girls losing their panties to the sound of that ugly skinny black scratch of a men that was mr miles davis, amazing, but i, once again, am not complaining, after all, in terms of jazz, anything is better than that old-sissy-romantic-melodrama-soundtrack-to-the-white-teenage-middle-class-girl's-first-broken-heart that was chet baker.
so dinner is served, everybody has a full plate on their hands, eating, a tall glass of red wine on the side, eating while standing, nobody matters. hot food feels good on the cold belly, i fell my melancholic mood going away, i see satisfied smiles all around the room. my stomach's thanking me with soft growls, like a kitten, so i pat it a little and stretch my sore body after finishing my whole meal. the couch is super soft, velvet, embracing my body as a set of warm human arms, and my body relaxes, with the wine's warmness rising to my cheeks and brain. i feel warm and fuzzy on the inside. after all the people have eaten, plates are stacked on the sink, tomorrow we'll take care of that, everybody's a little too drunk to do the dishes, let's sit and talk, we have time, tomorrow we'll still be young and have good-will.
then we sit on the floor, on top of a bear rug, white, soft, talking. mary tell us a story that is comic, tragic and amazing like a dream. then an guitar appears, plugged to a honeytone mini amp and people play, singing that old song "she had diamonds on the inside", laughing. a boy is kissing a girl under the low light of the porch, it's a pretty, sweet scene, how he gently embraces her by the waist, poking her playfully on the ribs. pretty, yet bittersweet for me, i have these intern reasons of mine that i rather not discuss. so i get on my feet and dance a little, still shy, i dance to the guitar's soft melody, it's so haunting. jules is a genius, blessed guitar player, gotta tell you, with that long fingers of his that mingle and go on, sliding... very nice. people dance to the rock songs, the party gets hot, people take off their coats. room temperature is perfect to dance so couples swing.
po-bo-bo-bobobo-oooo says the saxophone, and jules plays the guitar along the song, and the party goes on, heavy, vinyl and strings. trough the rhythm i keep on waiting for someone to arrive, bringing the band, the russian dancers and the elephant, maybe some weird poets and maybe a couple of beatniks.
but, and after a couple of heated hours, all bottles are finished, no bourbon, no wine, bottles and glasses laying useless on the floor. i lay down to sleep on the rug, still with my coat on, next to some other body, seeking a warm human feeling, but no such luck. yet, i fall asleep, it's almost the crack of dawn already in this crazy party, and i am going to sleep right here, in this blessed floor that god has put in my way. it feels good. i sleep a sleep of no dream, very short, awakening to the warm sensation of the shy urban sun escaping into the place by finding it's way through the drapes.
god, this feels good, i gotta say once again. i go to the kitchen, open the fridge with the intimacy of a old lover preparing his beloved's breakfast on the morning after, and grab a beer, opening it. i walk to the porch, head buried inside the coat, pack of red marlboro's in hand, i take one out of it's red bright box and light it up with cramed pocket matches. so, with a cig on one hand, a beer bottle on the other, i open my eyes a little bit more to make sleep go away once for all, and i can't hear no noise, there is not a single sound in the whole city. it is a pretty yet cold morning, pretty pretty early, i open my arms, that cig and that beer, i take a swig and salute the skies and say, softly, to the view in front of me: "good morning, world. i am, once again, ready for you".
and, with this, the un-routine can finally go on...
___
ps. não revisei. foda-se.
ps2. ando lendo Kerouac demais.
-- Mercedes | |
vagrants and traffic jams
after a long, worried time,
sitting on other people's minds,
that true old friend of mine,
turned to me and said:
"kid, you think too much.
you are 20 years old!
don't panic!
no one really like this world
where everything's in transit.
fuck these poetics of yours...
you are not alone, ga-damnit."
-- Mercedes | |
on friendships
i guess that after being gone
for so long,
there is no way, for me,
to come back to your home.
ice-frozen, closed windows.
i don't mind being locked out.
i'll sleep on your grass.
i'll sit on your porch.
i'll wait.
i guess i can only keep on living,
hoping that one day
my front-door key will fit again.
-- Mercedes | |
servir
o meu amor é servidão.
não há obstáculo que obsta,
não há penha penosa
que impeça minha marcha
à serviço do meu amor.
pois, se meu amado algo deseja,
só desejo poder realizar.
logo, se meu amado diz-se triste,
sentarei-me então no seu leito
e passarei dias traçando constelações,
com os dedos,
só a fim de lhe agradar.
pois, se meu amado algo deseja,
só desejo poder realizar.
e, se meu amado sentir frio,
seguirei, servindo,
expondo o coração aberto, com alento,
só a fim de lhe acalentar.
pois, se meu amado algo deseja,
só desejo poder realizar.
assim, se meu amado desejar afago,
mimarei, adularei,
com carícia e lisonja mais secreta,
só a fim de lhe acalmar.
pois, se meu amado assim deseja,
eu, como eterno servo e vassalo,
só posso desejar realizar.
-- Mercedes | |
zelar
parece pouco, muito pouco,
mas o que trago nos bolsos
são só lealdade e zelo.
te aproveita então
da minha reles fortuna,
(que é pouca, eu sei, mas é real e minha)
e reclama todas minhas posses.
rouba-me,
pois elas, na verdade,
nunca me pertenceram.
sempre tuas.
sempre foram tuas.
e repousa então tua cabeça no meu peito,
enlaça-te nos meus braços
como amálgama,
e fecha os teus olhos,
escutando a batida zelosa do meu coração.
embala-te no meu marcador de tempo,
traduz, em si, a canção do meu servir:
escuta com atenção e amor,
pois, como sempre,
o ritmo do meu íntimo,
falará por mim.
-- Mercedes | |
sobre a insônia
só de pensar no prospecto
das coisas que gostaria de fazer
(em você),
sinto aquecerem minhas veias.
nesse delírio da febre que me assola,
imagino um íncubo que sufoca.
imagino. prazer. e perco o sono.
e penso,
com os olhos semi-abertos,
que o suor que encharca o meu lençol
muito melhor seria
se encharcasse sua pele.
-- Mercedes | |
tragos
cansei
cansei
cansei
desse lençol frio.
DEMANDO
seu corpinho quente na minha cama,
pra quando eu chegar bebum em casa
desmaiar ouvindo você dormir.
-- Mercedes | |
releitura
i carry your heart with me
(i carry it in my diamond)
ps. original
-- Mercedes | |
|