hey, mercedes!
"Don't you want to join us?" I was recently asked. "No, I don't," I said.

II

de todos os lugares
deprimentes,
decadentes,
degradantes
que eu já estive,
você
foi o pior.

-- Mercedes | 10:51 |

fabulário geral do delírio etílico cotidiano

salve Bukowski
e seu espírito presente em todos os bêbados de calçada.

então vamos todos,
como o titio velho safado.
vamos, levemente alcoolizados,
quebrar garrafas em capôs de carros.

não são nem quatro horas ainda
mas ninguém quer saber de nada.
chuta os paralelepípedos comigo!
soca as latas de lixo, as placas...

acorda o mendigo dormindo.
anda, viado, levanta!
toma um trago.

a madrugada não serve de nada.

eu quero respostas, porra!
ninguém me fala.
plenos pulmões, um frio do diabo:
eu vou gritar.

acorda, burguesia, acorda.
acorda, caralho!
bando de babacas, otários.
what bunch of faggots!

botem as cabeças nas janelas!
cuspam na minha cara!

"isso são horas?"
"o que é essa gritaria aí embaixo?"


pode chamar a polícia,
pode chamar o papa.
manda vir Jesus!

anda, Jesus, pode vir!
estou te esperando
(aqui no meio do asfalto)
para uma briga de faca

pode vir, filhodaputa,
e pode trazer o pai
e a porra do espírito santo

eu não vou parar de gritar
até você chegar.
ou você me dá respostas
ou...

-- Mercedes | 10:25 |

20 years later...

years pass and people change.

so,
since i don't like the new y'all,
i've decided
i'll change people.

-- Mercedes | 20:19 |

threshold's endless rambles

when there is a infinity
of doors and corridors,
space and silence,

i can, sometimes, hear
the doorframes
and the window sills.

rambles and troubles,
loud and clear...

i can surelly hear
the squares'
talk.

-- Mercedes | 00:45 |

"i heard it through the grapevine"

(if by grapevine you mean orkut, of course)

-- Mercedes | 11:42 |

watercolor

a blotch of black ink falls on a blank page.
so, as clouds on a bright sky, i see shapes:
sheeps, piramides and, maybe, a sad face.

also, a black heart.

then, with a red pen,
i colour it a little bit,
add a few lines, a few shades.

there. a brand new shape.
i am now the outline of your heart.

-- Mercedes | 11:28 |

responda-me

já que desvendaste todos os teus segredos,
sobrou o que de você?

arrisco responder:
uma casca de existência.

-- Mercedes | 22:42 |

para voltar para casa

Estou a andar pelas pedras,
na beira d'água, n'angústia da espera,
há dias a fio, sem repousar.

Meu rosto cortado pelas duras penhas.
Vivendo vou, hoje, nessa mera
esperança de poder aí chegar.

Se necessário for, irei pelas costas
dos continentes, de maneira
que possa, enfim, te encontrar.

Te buscarei no exílio, mesmo morta!
Minha vontade à beirar a cegueira...
Vou. Nem que, por fim, acabe por virar
[ espuma do mar.

-- Mercedes | 16:36 |

repeat

thanks for nothing
thanks for
nothing
thanks fornothing
nothing
nothing.
thank you. thanks.
thanks for nothing
thanks for nothing
thanksfornothing
thanks for NOTHING
thanks for this
motherfucking much
of nothing
at all. nothing nothing.
thanks for all
the nothing.
thank you for all.

-- Mercedes | 12:15 |

when the day comes

i hope you like it
when i find a poor substitute
for your love.

i'll find
this sad, drunken figurine,
mere puppet, never fully graceful,
but enslaved
in a vicious & abusive relationship.

i hope you end up liking it when
i end up
liking him more than i ever liked you.

-- Mercedes | 12:15 |

coats and thoughts

i know it's cold outside,
but... wouldn't you like
a cold-tongued kiss
out there, on the bus stop?

out of sight...
before we reach your doorstep...
before we call it a night.

-- Mercedes | 11:40 |

Livro dos Sonhos

"Romeo: I dreamt a dream tonight.
Mercutio: And so did I.
Romeo: And what was yours?
Mercutio: That dreamers often lie."

- Shakespeare

Era um lugar imaginário, que minha mente não pôde reconhecer, mas com toque estranho de familiar. Um quarto singelo, de paredes brancas, duas camas de solteiro encostadas em extremos opostos, separadas pelo espaço de um corpo deitado ao longo. Uma janela à frente, meio fechada, deixava escapulir pela sua fresta um feixe fino de luz branca, fria, do poste. Era a noite de alguma silenciosa cidade.

Ouvi as vozes lá embaixo. Falavam sobre coisas miúdas, em meio-tom apenas. Tinham risadas mais altas, mas a conversa era sempre ininteligível. Reconheci as vozes dos meus amigos... mas não pude entender nada do que diziam. Eu estava distante demais. Depois de me desligar das vozes, ouvi os passos suaves de pés descalços, pisando macios no negrume do chão de tábua corrida. Uma silhueta surgiu, curvando sua cabeça pra dentro do meu quarto, espiando. Depois, a silhueta magra deu mais dois passos, parou o avanço e escorou-se no batente da porta.

Eu podia ver sua cabeça olhando atentamente para o breu do ambiente, como se observasse o meu sono. Percebendo que eu não dormia, moveu-se do seu encosto e se aproximou. Silencioso, veio andando até sentar-se na beirada da minha cama, perto dos meus braços. Sentou-se e a luz da janela iluminou perfeitamente seus olhos, e somente eles. Em uma espécie de close-up cinematográfico, pude ver com detalhes vivos as suas pupilas retraídas pelo assalto da luz e seus longos, longos cílios, curvados, piscando tranquilos. Me fixei naquela visão.

Veio chuva peneirando depois de uns momentos lá fora. Ficou, insistentemente, tamborilando nos vidros. Um chuvisco calmante quase, muito suave. Deitei-me de lado e bati no espaço vazio do colchão com a palma aberta, em um convite para quebra do silêncio.

"Posso te dar um abraço?" - perguntaste, com a voz titubeando.

Voltei a bater no colchão e você se deitou, colocando as pernas pra dentro das cobertas. Entrelaçou as tuas nas minhas, passando um braço pelo meu pescoço, em um abraço mal-ajambrado. Nossos rostos ficaram bem próximos, pontas dos narizes se tocando em um semi-beijo-de-esquimó. Quando você falou novamente, pude sentir o teu hálito soprar quente dentro da minha mente.

"Me conta uma história..." - sussurraste.

Iniciei um afago, enquanto lembrava alguma história; fui correndo os dedos pela tua espinha, contando as vértebras. Aconcheguei teu rosto no meu pescoço, contando inspirações e expirações. Iniciei aquela velha história do dia de trotes da PUC, que todos já sabem de cor, de tanto que ouviram. Contei como se partilhasse o segredo da vida, tão baixo que a dicção era quase confusa.

Porém, antes de conseguir chegar na parte em que rolo as escadas pela segunda vez, sua respiração ficou rítmica: você já tinha adormecido.

-- Mercedes | 12:10 |

Rochas

"To dare to live alone is the rarest courage;
since there are many who had rather meet their bitterest enemy in the field, than their own hearts in their closet."

- Charles Caleb Colton

Estou no meu bloco de pedra. Não desejo sair, não desejo trocar almas.*

Como um homem da era glacial, estou em pé, envolvida em sólida rocha, em um perfeito bloco quadrado, impermeável e impenetrável. É certo que aqui mal há ar para se respirar e a mobilidade é nula, mas é tudo seguro e silencioso, reconfortante. O bloco. Que cientistas não me encontrem, que a humanidade me deixe. Até o diabo, que este não venha me levar.

Meu bloco. Peço esse momento de paz para ficar aqui, prevenida das sociologias, sociedades e sociedalidades. Guardo minha alma pra mim mesma, assim como minhas epifanias. Poesia já não tenho. Não desejo trocar nada: guarde seus fragmentos pra si. Não desejo ouví-los assim como não peço que me ouçam - eu nem ao menos desejo falar.

Ficarei com meu saudosismo. Aqui dentro, faço dele um universo, mundo particular. O passado, quando era presente, valia nada. Hoje ele me é ouro. Desejo viver nesse tempo antigo agora, visto que no atual momento nada que surge me agrada.

Então, não me leia. Não existem aqui entrelinhas. Tudo que foi escrito aqui, FOI, e não será mais nada além disso. Não é eterno, nem cuidadoso. Não há metáfora nem mais nada, só mármore, granito e tudo mais que é dura penha.

E não - antes que me perguntem - nada mudou. Foi assim desde o começo.*

* Frases do brilhante Moskito

-- Mercedes | 10:39 |

meio moderno

não é difícil me encontrar rondando,
perdida pelas ruas, procurando
em qualquer multidão, o teu rosto,
e em cada lábio alheio, o teu gosto...

mas não acho nada.
só decepção.

-- Mercedes | 22:52 |

pff

odeio estar em um relacionamento
que me faz odiar a mim mesma

-- Mercedes | 22:50 |

vicarious

i can only remember my own dream
where we layed down on the bathroom floor
between the shower curtains, the white tiles
so cold so cold yet, yes, so good.
and you asked for more
"more pills, please." and more!
more wine! red and white...

and you had those shiny hazel eyes,
with perfect, smooth eyebrows.
you had dirty sneakers covered in mud,
adolescent charm (and those boyish eyes,
hazel!) over the white bathtub.

but i can only remember this dream
where i caressed your arms
and i grabbed you by your jeans
holding you tight, neck on neck:
"let's be quiet so the party out there won't hear."
so you sang that song,
your voice was so clear... nothing would be wrong.

after, i asked
(my mouth buried in the nape of your neck):
"kiss me now, silly child..."
but you denied.
smiled me half-a-smile
but didn't let go of my caress, or of my hand.
i thought so
"it's love, it's love by all means!"
but it was not. i woke up.
it was dream.

oh, fading excitement!
the only thing i can now remember.

-- Mercedes | 21:17 |

dadaísmo

o que é?

punk
revolução
geração beat
pornografia
erotismo
alienação
propaganda ideológica
dialética
literatura
homossexualidade

amor!

existem livros que te contam...
biblioteca do IFCS.
prateleira perto da porta.

-- Mercedes | 10:30 |
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