Março 31, 2007
"get glassed!"
deixo de tentar entender
o sentimento que brota inesperado,
ou quando desejo mudar, de novo,
365 vezes por ano.
simplesmente aceito
a fagulha de tesão que me dá
ao me sentar
em meio à uma briga de bar
e sentir respingar o sangue
no canto da minha boca.
todos os dias
vou me levantar, de ressaca,
e achar espaço pra descansar
no olho do furacão.
posted by Mercedes |
11:42
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kiss my shades
olhar o céu é se sentir amarrado
numa rede de fios emaranhados,
ligações, gatos e zumbido estático
de energia elétrica.
coloca o dedo na tomada,
no transformador tombado.
eletrocutado.
sinto que essa noite,
alguém tomará uma garrafada.
na cara.
é preciso achar sentido, à todo custo,
pois a madrugada do centro da cidade
não me oferece mais nada.
posted by Mercedes |
11:27
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está decidido.
retiro as tropas exaustas
do território indomado.
posted by Mercedes |
10:36
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Março 30, 2007
sobre manter
o exercício de paciência
é um teste necessário.
cultivo o jardim de sonho,
sem pressa.
faço tudo por você e por mim.
***
sobre perder
às vezes penso nas entrelinhas
que li a mais,
penso em tudo que foi inventado.
acaba que
te perder fica sendo tudo
o que eu mais queria.
***
sobre partir
o que me consola, no fim das contas, é:
eu fiz tudo que poderia ser feito.
e desisto, mas de consciência tranquila.
e, matutando com meu EGO
de uma maneira egoísta e ilógica,
é confortável pensar
que não vai surgir pra você
outra pessoa tão legal quanto eu.
posted by Mercedes |
21:30
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Março 28, 2007
qualquer-feira
Gosto da faculdade assim, pela manhã. O barulho monótono e repetitivo da vassoura que varre, a casa de máquinas aquecendo os motores. Tomo as escadas. O som dos meus próprios passos pelos degraus de madeira é o único barulho no silêncio morto do prédio. Passo pelas portas das salas. Não há viva alma no segundo andar, só estátuas de bigodudos pomposos, que me assistem com seus olhos de pedra. Subo o terceiro, o quarto andar. A cantina acabou de abrir e já está quente, o vapor da cafeteira ligada. A atendente, com sono, me reconhece e me dá o de sempre, o de toda amanhã: um café preto e um cigarro.
Carrego o café-da-manhã pelos corredores escuros, luzes desligadas, apenas pequenos fachos de sol que escapam entre as nuvens, raios frios do sol que mal nasceu ainda agora, às 7 da manhã. Tomo meu lugar no topo da escadaria, e penduro meus pés do lado de fora, entre as grades do corrimão. Tomo o café, acendo o cigarro, longo trago. Escuto barulhos de outros pés, uma pequena risada. É o pequeno violeiro nipônico, no alto de seu 1.67 de altura, já traz o violão em mãos, e vem, subindo, tocando e cantarolando. Me cumprimenta com a cabeça, sem perder o ritmo e dedilha as cordas, baixinho, uma canção suave de despertar, matutina. Senta-se do meu lado e logo chegam mais dois, três amigos.
O cantor, de repente, levanta a voz e canta "don't let me down!" e abaixa a voz de novo, até quase o mudo enquanto sussurra "nobody ever loved me like she does... oo she does, yes she does..." e interrompe a cantoria, e fala: "gosto da gente assim pela manhã, essa faculdade vazia, é como um cômodo de casa..." e retoma a música.
É, é como um cômodo de casa. Um casal valsa sem música e ri pelo corredor perto do bebedouro, na cena mais linda que eu já vi, e as pessoas se estendem pelo chão, sentadas em roda contando sonhos, tomando cafés, muitos cafés e pequenas outras conversas, e me confidenciam um segredo, entre fumaça de cigarro e viola -- todos cantam e é mesmo como um cômodo de casa, de casa de praia quando a gente se estica na rede e sorri sem motivo, e toma aquela cerveja choca da festa da noite passada, com cara, cabelo e roupas amassadas...
posted by Mercedes |
15:46
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Março 27, 2007
under the influence
Ei, cara, acorda, é uma festa e as pessoas não dormem em festas. Está certo que é uma festa melancólica pra caralho, de só dois convidados, eu e você e o silêncio que impera mas você não pode dormir, afinal, eu tô aqui e a gente precisa conversar. Então, vem, deita a tua cabeça aqui no meu colo, vem, se estica no chão e descansa a tua cabeça, torcicolo é o cacete, o chão é o chão e todo bebum sabe e tem uma relação intrínseca com o chão, pois ele é o limite e ser algum do chão passa. Isso, melhor agora. O teu cabelo é uma delícia, eu adoro emaranhar meus dedos entre os fios do teu cabelo e nessa nossa pequena festa o que faltava, depois de termos bebido 10 doses de vodca, 6 doses de rum e fumado 2 charutos e 3 maços de cigarrilha era um cafuné, assim, próximo, deitado no chão gelado de azulejo, na terra, viemos da terra e à terra voltaremos, o que faltavam eram 10 dedos muito desinibidos por causa de álcool e uma cabeça disposta.
Agora temos tudo que queremos. É uma festa tristonha. Meia luz, um vinil vagabundo de Johnny Cash. Sirvo um resto de vodca vagabunda, num copo sujo de vinho da semana passada, com limão amargo e gelo, muito gelo e oficialmente, espremo a garrafa até a última gota, bebendo essa teremos bebido todo o álcool presente embaixo desse teto. Sinto a dormência da última dose, o arrepio e puxo seus cabelos ao mesmo tempo do volt de prazer do arrepiar dos meus pêlos, com tesão e bebida enevoando os meus olhos. Traço o caminho dos seus lábios, são lindos lábios, vermelho de goiaba, lindos lábios de moça e os seus olhos são como vidro, vidrados, você se acaricia no ritmo da música, uma mão leve que batuca na barriga arranhando e desejo ser a música e a barriga e o ar e a mão. Puxo o livro do meu lado e leio uma passagem, na nossa festa funerária combina tudo muito bem, é um livro de Clarice Lispector, numa história bem tristonha dessas que entende a solidão da gente sem deixar constrangido e sem fazer você se sentir uma merda. Leio em voz alta.
Você dormiu de novo. Porra, cara, nem todo bebum pode dormir em festa. Você tá com fome, quer um omelete? Nada melhor pra larica de bebum que ovos e torrada... Ai, acorda, cacete e me conta... não queria estragar o clima, a tensão sexual, o prazer de estar a dois, mas o que nos separa de uma vida feliz? porque, porque eu só recebo teu amor no fim de semana, porque só posso te telefonar à noite quando te quero o dia inteiro, quando penso em você, porque só posso te encontrar naquele pardieiro de boteco na esquina, na zona sul sob a luz das desculpas mais esfarrapadas e nos domingos onde ninguém pode fazer algo, quando suas amigas não telefonaram, porque eu só posso me contentar com o barato do último gole do copo? Porque a gente não pode sair durante o dia e namorar e almoçar como gente, nossa relação é presa à luz da lua e a sombra da noite que tudo esconde ou aqui no meu apartamento, muito bêbados pra dizer qualquer coisa coerente... eu te quero, merda. Não quero mais beber pra caralho e fazer sexo bêbado e sem amor, eu quero caminhar com você e te beijar no portão da tua casa, embaixo dos olhos da tua mãe, despertar o ódio do teu pai que perde a primeira filha pra um cara mais velho, não quero ser o passatempo da tua solidão quando masturbação não basta ou quando insatisfação bate e o dj da balada não te agrada e você quer beijar alguém pra passar tempo e me beija e olha o relógio, como quem espera e diz ¿quantas mais horas terei de beijar esse babaca?¿
pois é, teus olhos estão bem abertos agora. Não culpo a bebida, não culpo nada. Quero mesmo vomitar meu amor na tua boca, tenho ânsia, tenho desespero, esse filho da puta desse Johnny Cash tá trazendo o pior de mim e eu devia ter ficado no Elvis e no ópio e nas músicas de "please don't stop loving me", e você não devia estar aqui bebendo comigo e me olhando com essa cara de quem não entende, porque eu, no fundo, sei que você me entende e na minha angústia e paranóia eu sei que você me quer, mas que o meu desejo seco e dedicado é teu prazer maior, que você goza bem mais me tendo na sua mão, como um garoto decepcionado, do que goza quando eu te fodo e quando digo que te amo e separo trechos de Clarice Lispector pra fazer festa na cozinha à dois e sussurrar toda essa bosta comprimida e apaixonada no pé do seu ouvido.
É, cara, não é sonho. Abre bem seus olhos. Sou eu, eu e você. Estou bêbado... deixa, esquece, é besteira. Me perdoa! Não vai embora! Vomita, vai, eu seguro os teus cabelos... e não desmaia.
posted by Mercedes |
19:01
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oi?
A gente fica aqui na nossa juventude achando que é onda ser retrô, ser cult, ser blasé, saber meia dúzia de palavras em francês e rabiscar isso no caderno de quem te ama ou do amiguinho que procura algo novo e refrescante pra mandar de mensagem de celular pra namorada. A juventude adora dizer que sabe de amor e discutir todos os assuntos, a juventude adora ganhar seu primeiro Schopenhauer e escrever prolixo, e ser intelectualóide sentado na mesa do bar e discutir assuntos que, na faculdade, só raspamos a superfície, vomitando citações de Marx e Nietzsche, sendo que é tudo tão aleatório e distante e maquinal que a gente repete de novo e de novo o assunto para as mesmas pessoas até viciar o discurso de um grupo, só pela massagem de ego, um assunto mais alienado do que a alienação em si e falando tudo isso, achando lindo, embucetando a mediocridade em uma roda de samba, sexta-feira, num sarau mal ajambrado, que a juventude hipponguinha acha lindo por ser tosco, falando e falando, metendo o bedelho na vontade alheia e dizendo merda, depois voltando pra casa e filosofando filosofia que não cheira melhor do que minha privada, e anotando mentalmente pra escrever no blog, abrindo a porta e chorando no chuveiro, chorando no travesseiro, se achando muito burro e mal amado (o que na verdade é até bom, porque dá assunto pra uma merda de conversa mais tarde, pelo telefone com seu melhor-amigo-pra-sempre) se consolando em um livro e achando que Ginsberg fez um poema que traduz toda sua existência, que vai salvar sua vida, quando na verdade esse poema era só um dos milhões que ele tirou da barba muito doido de heroína e que, na verdade, só fala sobre o pênis de Neal Cassady.
Porém, não ache que caio na hipocrisia crítica que uma metade mais escrotinha ainda da juventude gosta de se considerar. Não tiro meu corpo fora, também gosto de achar que sei de todas as coisas e gosto que os outros achem o mesmo, e gosto de fazer poesia sofrível achando que minha imaginação é ótima e flui, que minha escrita não é escrota e clichê. Gosto de achar que você anda bebendo menos e que alguém me ama e me admira, que meu apartamento não é essa espelunca mal ajambrada, poeirenta em um bairro mal-visto da cidade, que não falhei miseravelmente ao escolher uma graduação em Filosofia e um namorado que gosta de escalada e queijo-de-minas. E me conforta pensar nessas coisas e achar que a vida vai bem quando todo mundo sabe daquela garrafa de conhaque entre o colchão e a parede, todo mundo sabe da eight-ball de cocaína que a gente toma pra aguentar ser o mais sorridente da festa e o mais fluente, o Valium para a ascensão, os soníferos para sentir o perdão e conseguir dormir, e merecer dormir e creme hidratante pra disfarçar as olheiras - ninguém pode saber que estou na merda.
O telefone toca, tem sempre um babaca pra telefonar no meu pior momento, que pergunta como vai a vida e porque a gente não se vê mais? E cita palhaçadas clássicas, daquelas de encher a bola só pra pedir um dinheiro emprestado, falar que injetou o resto da grana toda, grande merda esses poetas amigos da juventude, que você acha que são lindos no estilinho pistols-heroin-chic, que estão tão duros e são tão babacas quanto você. "Você era um grande pensador. Eu me inspirava. Pois é. Eu gostava de você. Mas te vi na rua outro dia, você parecia mal... Não, você não anda bebendo menos. Sim, dois maços por semana te fazem um fumante... Ouvi dizer..." então dou o foda-se e desligo na cara, antes do pedido de empréstimo, tipicamente juventude-revoltadinha, me achando melhor que o próximo e sento, acendendo outro cigarro casual enquanto as baratas movem os móveis de lugar e o lençol, embolotado, me pinica. Vomito essa pilantragem escrita aqui, em máquina de escrever de merda, pra ser legal, pra ter estilo, machucando os dedos no teclado duro, me contentando em ter um monte de fitas VHS de filmes do Pasolini, discutindo em chat-online minúcias babacas e inúteis, com um monte de caras merdas obcecados que perderam o tempo de suas vidas, velhos pedófilos e passados que nunca casaram porque gastaram toda sua vida gastando dinheiro em itens colecionáveis de James Dean e perderam seus empregos por serem muito estranhos e que, com seus papinhos sobre "Assim Caminha a Humanidade", só conseguem transar garotinhos atrás dos estúdios da Paramount, pensando estarem fodendo o próprio Dean pra conseguir uma ereção.
Aí caio na merda de me deprimir, toda juventude sempre tem uma babaquice pra se deprimir, do que é que tanto a juventude sente saudade se nunca viu nada nem nunca sentiu coisa nenhuma, se nunca teve que encarar nem uma barra, o máximo de drama é quando acabou o mate dietético na cantina da universidade?, e telefono. Telefono, afinal tem uma juventude burguesa melhor do que a minha e eu sou o jovem-junkie, poeta falido, abaixo da hierarquia de importância da vida de alguém e faço, hipocritamente, uma ligação idêntica à que acabei de receber. Alugo um ouvido, de qualquer um que esteja disposto a ser a juventude-paciente-e-altruísta e que está sempre lá para um amigo mas que na verdade só quer uma brecha pra começar a vomitar os seus próprios draminhas patéticos, como aquele que o namorado não quer assumir compromisso sério ou como aquela babaca da fulana só quer saber de você pelas costas e contar uma fofoca que não deveria contar e depois vir na hipocrisia e mandar você esquecer tudo porque fofocar é feio e faz mal para o karma. Falo sobre as minhas merdas e escuto as merdas debruçado na pia da cozinha, esmagando os últimos dois comprimidos de Valium com o fundo de um copo e misturando tudo com conhaque de alcatrão, porque, como jovem, devo pagar de pseudo-beat e vou, preparando o estômago fraco, descendo o vômito de volta porque quando esse idiota calar a boca é meu momento de fazer voz de cu-doce e jogar uma chantagem emocional barata e pedir um empréstimo de uns trocados, afinal eles vão publicar meus contos em breve e eu pago, prometo que pago, e acabou o Valium, cara, por favor, acabou o Valium...
posted by Mercedes |
15:52
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estações
então... o que eu faço?
sossego com o amor de veraneio
ou desbravo outono, adentro,
e te ganho pelo cansaço?
posted by Mercedes |
14:23
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Março 26, 2007
enraptured
is it insane that
i fell ill and still
want to drink from the poisoned well?
posted by Mercedes |
19:21
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Março 24, 2007
oh, sailor! (2)
a sailor in white, ironed uniform,
with a wine bottle in hand,
shoelaces untied
and toes firmly buried in the sand,
approached me on the bay.
he said:
"i'm willing to pay
for your love tonight."
and then he started telling his tale:
28, white male,
from the suburban area of Tennessee.
"i don't know what's wrong with me.
see, i've spent all my money
on hookers, wine and cigars.
but i am a sailor, i can take you far
away from the cheap, cold night.
i'm looking for passion,
so put your body in my hands,
be mine..."
"boy, you cannot look for love
in the foggy dew of the night.
cannot come and pretend
that a one-night stand is fine."
then, he answered:
"well, a dirty love...
what more can you expect from a man
that doesn't dream since January, nineteen eighty-nine?"
posted by Mercedes |
18:18
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Março 23, 2007
verdade absoluta
a sobriedade é devastadora
posted by Mercedes |
23:37
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no trânsito
juro que se tivesse carta
afogava essa ânsia que me mata
e espatifava o carro
no primeiro poste que aparecesse.
posted by Mercedes |
19:04
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Março 22, 2007
para as pessoas que ainda não perceberam que a vida é curta
é fofinho esse teu jeito criança que sempre quer saber o funcionamento das coisas, eu te juro que gosto e que me encanta responder, eu juro que posso te ouvir por horas e ir apontando e nomeando as coisas e usando a enciclopédia de inutilidades que é meu cérebro pra te dizer, e posso sem problemas, e gosto de explicar minhas ações e meus escritos e passar minha vida em pratos limpos, deixando pra trás afazeres, relatórios, fichamentos e cartas não respondidas só pra passear e questionar e filosofar sobre tudo, vivendo ali naquele momento juvenil de procurar racionalidade, de ler muito Kant, contigo me perguntando sempre "mas porque isso? e aquilo? porqueeeeeeee?"
só que, se me permite, dou uma sugestão: porque você não se solta um pouco, se livra dessas neuroses da sua cabeça de viver de fatos e sonha, e vive um pouco de ilusão, se deixa levar pelo prazer só de estar vivo e das coisas caírem do céu, sem me perguntar "porque fazer tal coisa?" e sim se perguntar, mesmo que mentalmente, em frente aos desafios do mundo, um grande, gordo, esdrúxulo e vagabundamente despreocupado "huuum, porque NÃO fazer essa coisa?" ?
posted by Mercedes |
17:09
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Março 20, 2007
é, já sei, já chega.
na distância entre a minha boca e a tua há muito mais que desejo e fino ar: existem ali, em poucos centímetros, um milhão de dúvidas não respondidas (que, por corvadia, também nunca foram nem ao menos faladas).
posted by Mercedes |
13:55
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leque
passeio pelas ruas de ônibus. às vezes, pela manhã, tomo o ônibus errado de propósito e vou viajando por pequenas ruelas e bairros, em uma visão totalmente nova devido à luz do dia.
meio-dia, cito Chico Buarque, só pensando em dizer não. mas não adianta: meio-dia e um me desconcentro e digo sim, bipolarmente, sem pesar (sem realmente importar qual a questão da vida em si).
desço no ponto mais longe da minha casa. caminho sob e sol e sob a chuva. escuto terríveis canções datadas no rádio de bolso, me apaixono e me odeio por todas elas.
aí, às 3 da tarde, ao virar minha esquina, me acho patética. depois engulo tudo subindo as escadas de incêndio. acendo um cigarro, às escondidas, imatura. trago até a luz se apagar. depois me sento no escuro, em um pequeno recanto obscuro do meu próprio mundo familiar, sinto desconforto, descontentamento.
me sobe a ânsia. esmago a bituca com o pé, chuto-a pelos degraus. reflito sobre nada. novamente me encanto, ali, no último lance até o meu andar. supero tudo, me sinto bem...
isso tudo só pra sentar aqui no computador e escrever a maior idiotice do mundo, falar o que nem sei sobre o amor, fingir e pretender.
posted by Mercedes |
13:49
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Março 19, 2007
???
fico sempre na dúvida
se te cumprimento
com um beijo na bochecha
ou um beijo na boca.
posted by Mercedes |
21:55
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Março 18, 2007
suor.
na ponta da língua,
a pele.
quem diria!
o paraíso
tem gosto salgado.
posted by Mercedes |
16:38
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Março 17, 2007
partindo
Empacotadas minhas malas e cuias, dou o laço final nos cadarços dos tênis, olhando com olhar triste para as coisas que ficam -- essas coisas com que convivi por tantos anos, que coletei com tanto carinho. Odeio ter que me despedir em dia tão lindo, com essa visão perfeita da sala, banhada em sol, do lustroso chão de tábua corrida, ou do aquário, com sua água azul servindo de prisma e formando um pequeno arco-íris.
Mas não posso ficar. Seguro a porta com o pé, botando as malas pra fora, a mochila pendurada em um ombro. Checo o bolso da calça de novo, está lá o único objeto que separa o novo do velho mundo: a passagem de ônibus comprada no começo da semana. Esse ônibus será o que me levará pra longe de tudo que um dia considerei lar.
Epifanias são para isso. Tê-las não é difícil, reconhecê-las e agir são a verdadeira questão. Abraço o crack da minha vida pelo destino e aprecio o conteúdo que vaza dessa rachadura. É necessário mudar! E se essa mudança não for para melhor, ao menos terei aperfeiçoado a arte de perder as coisas.
Sinto que perdi primeiro minhas chaves, depois a mim mesma. Em breve perderei uma casa e um emprego e espero estar preparada para perder mais e mais, até deixar pra trás continentes inteiros, amores e almas.
Enfim, checo o relógio e não há tempo mais para divagar. Tranco a porta da frente como quem tranca uma cela de prisão e deixo, do lado de dentro, as angústias e medos. Estou liberta das coisas e sinto fluir, na viagem de elevador até o saguão, o frio gostoso na barriga de um sonho incerto que se realizará.
Porém, você interrompe minha sorrateira saída quando entra correndo pela portaria adentro, como um louco, desfeito, desesperado. Larga sua pasta e me engolfa no teu abraço, me amassando. Sussurra coisas que eu não compreendo, até me soltar um pouco e me falar:
"Você não pode ir. Como é que eu fico?"
Meu querido, você fica aí, no seu apartamento, com o gato e os peixes, os móveis de mogno e o aparelho de jantar. Nada disso me é mais necessário: parto em duas horas para um novo destino e você não pode vir. Não que você seja um fardo, longe disso, só que meu amor por ti distanciou e me satisfaz agora o amor pelo mundo.
Me separo de ti, de sua selva de braços e mãos. Você bota o rosto entre as mãos e puxa coragem do fundo do EGO para me fazer a pergunta final:
"Você não vai mesmo me contar para onde? O porque?"
"Não é uma questão de porque ir embora, Max. É uma questão de 'porque não?'"
"Você precisa me contar. Não é justo, vou morrer se não souber!"
"Isso é só curiosidade. Eu que morrerei. E, na verdade, prefiro morrer agora, sem ar, com o meu segredo entalado na garganta."
E você, mesmo sem compreender o propósito, abre a porta da frente pra mim, calado. Me dá um beijo no rosto como a mãe que beija um filho que parte; você me abre a porta do mundo e fecha a do teu coração e sobe as escadas, cabisbaixo e eu... eu nem olho pra trás.
posted by Mercedes |
14:07
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Março 16, 2007
amigo sincero,
de ti só espero
cafuné e colo,
e, de vez em quando, que consoles
minhas neuras.
posted by Mercedes |
23:49
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Março 15, 2007
Cena
O momento parece um contrato de assassinato, no topo de uma passarela de pedestres sobre a rodovia 106 e seu tráfego intermitente e ensurdecedor. Fim de tarde e eu observo o asfalto, como sempre, cabeça baixa. Você chega como a viúva traída de um romance de Raymond Chandler, seu caminhar lânguido e rebolativo, e se instala do meu lado, o assassino profissional, como quem observa a paisagem, como quem não quer nada.
Eu não olho pra você, só escuto o seu longo suspiro. Abaixo, pego a garrafa próxima aos meus pés e tomo um amargo e desconfortável trago. Balanço a garrafa contra a luz, checando o que me resta, a garrafa verde e barata e provavelmente inapropriada.
"Vinho de mercearia?"
"Infelizmente, instalaram-se os tempos de pobreza."
"Você estraga sua vida bebendo, sabia?"
"É, sabia."
E passo a garrafa para o lado, gargalo apontando para o seu rosto. Você não resiste aos seus instintos e aceita, tomando um gole, fazendo careta. Devolve-me a garrafa. Abre a boca, e fecha. Debruça-se mais pra fora da grade da passarela, sentindo a fumaça que a gente cisma em chamar de brisa. Tira um maço de Marlboro do bolso interno da parka, pendura um cigarro nos lábios. Observo o seu prazer de uma longa tragada, exalando a fumaça, e mais outra tragada. Você prende a fumaça e me passa o cigarro, como uma oferta de paz.
"Como está a sua vida?"
"Está indo. Estou trabalhando..."
"É. Estou sabendo."
"... no escritório do Miller."
Miller. Miller é o nome que me persegue, minha sina, o nome que grito em meu pesadelo, no momento de ódio, que falo por entre dentes enquanto viajo de ônibus pela cidade, em 30 segundos de raiva cega aleatória. Cheguei à conclusão de que passo 75% do tempo pensando em maneiras ridiculamente sádicas de como matar Miller, de como degolar o cretino do MILLER (falo o nome dele SEMPRE com uma ênfase de escárnio), o maldito do seu amante. Para falar a verdade, penso mais em Miller do que penso em você. A sua distância não me incomoda o que me incomoda é o surgimento dessa pedra chamada JP Miller no caminho da minha vida, do meu hedonismo.
"Eu não penso mais em você, sabia?"
"Se não pensa, porque telefonou?"
Pergunta sagaz e especialmente bem aplicada. Obviamente penso em você, afinal sobram-me, todos os dias, os 25% de tempo em que não estou vidrado em maquiavélicos planos de como esfolar Miller vivo. Pouco você sabe que constantemente imagino cenas de beijos entre vocês dois e que me incluo brutalmente nessa sádica fantasia, quebrando costelas e maxilares, derrubando-o em sua magreza escrota. Imagino esfregar a cara de Miller no asfalto, depois na merda e depois bicar o seu sorriso branco cheio de dentes, de burocrata. Cara mais babaca!
"Você sabia que o Miller é um merda? Me disseram ainda que ele fode mal."
Você suprime um sorriso amarelo e isso me dá uma pontada ridícula de prazer: pensar que o grandioso paparicado almofadinha Miller é um brocha e que minhas palavras te ferem. A pontada logo vira uma onda que se espicha até meu córtex, espalhando-se pelos meus membros. Sinto-me junkie, desejo outra dose, mas antes da minha língua ferina lançar mais uma chicotada, tua fala mansa me desarma.
"Estou apaixonada por ele. Está na hora de você me esquecer. Não podemos ficar assim."
Ah, crua verdade que é por todos sabida. Velho não-segredo, reprisado já há meses, mas que ainda assim me afoga. Eu sei que o nosso amor findou, me repito esse mantra fatídico e "supero", dia sim, dia não, essa história com livros vagabundos de auto-ajuda e sessões solitárias de meditação com chá. Porém, a navalha da verdade jogada na cara ainda corta a minha razão como faca quente na manteiga, e tudo que consigo fazer, pra reagir, é uma imensa cara caída, e abaixar a cabeça. Estou resignado. Meus olhos estão marejados e levanto o olhar até o nível dos seus olhos, e eles estão impenetráveis, com pequenos pontos de mágoa na íris, mas ainda assim duros, como quem chuta o gato que mia na porta, interrompendo o sono.
E as suas palavras ricocheteiam como bala dentro do meu crânio, sinto a tristeza azul e depois a raiva ruiva, num só gancho de esquerda na boca do estômago. Cerros os punhos até os nós dos dedos ficarem brancos, prendo a respiração até o ponto de explodir. Fico roxo. Relaxo os punhos. Vejo tudo preto de ódio.
Então esgano o pescoço da garrafa desejando que fosse o seu pescoço.
E depois arremesso a garrafa nos carros, lá embaixo, ouvindo o barulho do estilhaçar do vidro, desejando que esse estilhaçar fosse o dos meus ossos, e que os cacos fossem meus membros e pedaços, atropelados, lá embaixo.
posted by Mercedes |
14:33
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Março 14, 2007
caraleo, genial, retirado de http://faked.zip.net/
"Carta para uma pessoa triste:
Senta aqui, vamos conversar com seriedade. Discutir os seus problemas profundos, essa sua vontade de não ter vontade alguma, sua rejeição às ocupações. Chega aqui, saudade do que você tem? Que saudade é essa, insuportável? Mania de ficar parado sentindo brisas, a leveza da alma, melancolia nos olhos. Vamos conversar seriamente. O que eu proponho é que você se apaixone por mim. Deixe eu lhe explicar todas as vantagens (devo também ressaltar os contratempos), mas o que você precisa mesmo é se apaixonar por mim. Infelizmente não corresponderei assim logo de início, não é esse mesmo o nosso objetivo, o que precisa acontecer é você sair desse buraco branco. Começando: pára de beber leite, isso dá sensação vazia por dentro. Pára de fumar tanto também, também dá vazio por dentro. Repudie esse vácuo, não lhe cai bem, o que você precisa é de mais maquiagem, um pouco mais de exagero. Vou ensinar a pentear o cabelo, a dançar discreto e bem. No entanto não seja de todo fútil, que assim não vou suportá-lo, eu também tenho os meus critérios e rigores. Quanto a este pormenor, não se preocupe com minhas recusas, elas serão constantes, e você há-de se acostumar. Teremos amigos. Poucos. Você me apresenta como cônjuge a uns, demonstra amizade a outros, e continuamos assim, sem que nunca você perca sua paixão por mim. Essa paixão sim é obrigatória, irrecusável. Sem ela eu faço questão de você não existir."
reflitäo, ok?
posted by Mercedes |
21:48
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sem título - diário #48762342
todo dia, na repartição, tudo é muito chato. o chiado do ventilador de teto em sua sonolenta rotação, o carimbo intrépido marcando papéis, o toque estridente do telefone da secretária e aquela risada irritante do Don Juan da contabilidade, ali, em volta do bebedouro. porra, esse cara nunca trabalha?
e a caneta, parada, em cima da papelada, como quem diz: "não fala nada, cretino. trabalhar que é bom você também não quer".
é... é... fazer o que? como sempre, eu me distraio. com tudo e com nada, procuro distração. aperto as teclas do computador, formo palavras desconexas, escrevo seu nome do lado do meu 50 vezes, em um gesto infantil. abandono relatórios, não tenho cabeça pra nada, sinto calor e abro o botão da gola da camisa. as gotículas de suor escorrem e eu associo esse suor a atividades não apropriadas para o expediente.
ai, o suor. o calor da pele... divago... imagino os meus beijos no teu pescoço, um chupão leve, o pulsar das tuas veias. re-descobrir teu corpo com meus dedos. me arrepio. lambo os lábios, minha boca está seca. olho para um lado e para o outro, para ver se alguém me descobre no meu devaneio pseudo-erótico mas, aff! todo mundo está ocupado demais na sua rotina burocrática (menos o carinha da contabilidade, que está tomando seu décimo quarto copo d'água enquanto paquera a secretária) para saber o que se passa no meu infame cubículo.
então, visto que estou longe dos olhos alheios, retorno ao refugo da minha mente, minhas profundezas vermelhas - te desejo. imagino cenas sórdidas, algumas românticas, mas mais sexo e delírio mesmo. anseio. me mexo na cadeira, mordendo a boca. estou salivando agora, selvagem - não me conformo com teu amor de fim de semana, quero tudo agora!
ah! puta que pariu. maldito seja esse martírio do desejo encubado de segunda-feira.
posted by Mercedes |
18:23
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Março 12, 2007
deixa eu ser piegas mais uma vez, por favor
festa na cozinha,
antigas cartas,
novas mensagens,
novas memórias,
grandes bebedeiras,
calorosos abraços,
o sol que faz lá fora,
ensolaradas fotos,
grandes amigos,
carinho incrível,
prazer sensual,
cantarolar canções,
sorriso espontâneo,
reconectar amizades,
reinventar um amigo,
rever e apertar, feliz,
acender as chamas apagadas,
espantar a nuvem negra,
perder o sentido,
perder a linha,
coçar as costas,
ganhar uma homenagem,
receber um elogio,
fazer um elogio,
fluir o amor.
todas essas coisas...
harmoniosas.
acredito agora
em bom karma instantâneo
posted by Mercedes |
19:26
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pára! tem algo de errado!
o dia está lindo lá fora,
e eu estou feliz.
mas que diabos? ...
o mundo está com defeito, só pode.
posted by Mercedes |
19:13
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Março 11, 2007
angústia
canto no seu ouvido
uma música de amor
com o carinho
e a urgência
de um abraço de estuprador.
posted by Mercedes |
14:08
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Março 10, 2007
chillin'
no fundo da piscina,
sob o peso da imensa massa de água,
não sinto nada, não ouço sons.
e quero ficar aqui embaixo,
nesse mundo surdo,
olhando pro céu, boiando,
pensado frivolidades como:
"a piscina ou o céu?
o que será mais azul?"
e o dia passará.
e não quero nada mais.
posted by Mercedes |
07:59
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Março 8, 2007
picnic com chuva
cara,
você é a pedra
no caminho da minha felicidade.
posted by Mercedes |
19:48
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Março 7, 2007
(preciso de um trago)
meus olhos estão pesados de sono, a cabeça dói. não é que seja tarde, é o peso da rotina.
então escuto o barulho da porta, tomo coragem e ponho-me de pé. ando, tateando o escuro e encontro teu corpo no meio do caminho, na vastidão mínima do meio do corredor.
ali beijo-lhe o rosto, depois os lábios; sorrio e choro. minha mente não está sã: eu grito impropérios, adoro-te, esbofeteio e vomito imperativos e arremesso o amor e todo o resto do caos.
aonde estão minhas guias? onde estão os trilhos? qual o sentido do mundo? eu não sei - nem nunca saberei.
só me resta a loucura. e que se foda.
posted by Mercedes |
23:11
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Março 6, 2007
fool
a pergunta fatal do relacionamento (sobre você e/ou eu e/ou nós): quando não sou o bobo mestre que pergunta, tenho que ser o bobo amargo que responde.
onde enfio a minha cara?
***
e cadê o meu bom karma? universo, não mereço uma chance?
acho que no fim, toda aquela merda terrível que eu passei foi provação e não me trará nada: foi tudo um pagamento de dívidas kármicas atrasadas.
***
e nada, nada disso faz sentido. e foda-se. isso são linhas, CONFUSAS, não poemas: quem espera poemas pode ir pra casa, sentar e esperar a morte passar - deitar-se depois do almoço, digerindo, vivendo a vida.
sem mim.
***
então deixa eu finalmente liberar a raiva, e ser direta... quando me sento e me afasto, ali do outro lado, só meio simpática, estou pensando, na prisão da minha mente, por detrás do sorriso amarelo, entre dentes:
"por favor, não seja legal. vá embora! necessito da distância."
posted by Mercedes |
22:40
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Março 4, 2007
levei meu coração para a loja de penhores
e recusaram.
"produto avariado?
não, obrigado."
posted by Mercedes |
21:10
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Março 3, 2007
while in bed
i keep waiting
for the morning sun
to rise in your eyes
posted by Mercedes |
11:24
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Março 2, 2007
regret
i noticed that
the stabbed back was mine.
posted by Mercedes |
21:24
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