dharma bums


estilo Legião Urbana

Batia levemente à porta dele, um pouco depois da meia noite. Batia de leve, num misto de timidez e embaraço, era tarde já, ela sabia, mas todas aquelas doses no bar lhe deram uma coragem antes amuada, um vermelho apaixonado nas bochechas e avivaram paixões que ela antes preferia esconder, fingir que não existiam.

Ela bateu então, novemente encorajada, com um pouco mais de força na madeira macia da porta. (os nós dos dedos estavam brancos de apertar o punho fechado). ele abriu a porta (finalmente!) e ela olhou pra ele, apaixonada, no seu doméstico desalinho: os cabelos de quem saiu da cama agora, olheiras meio fundas, olhos verdes, compridos e aveludados.

Deus! ele é realmente BONITO demais..., pensara Rachel, ainda mais apaixonada.

Ele olha confuso de certa forma, mas solta o ar aliviado. "Entra, entra."

"Desculpe, querido, sei que é tarde mas precisava realmente perguntar..."
"Isso é cheiro de álcool? Você está bêbada?"
"Estava mais cedo, a pouco, na verdade, mas agora estou mantendo. Está tudo certo agora, está claro."

Ele sorri devido as meias desculpas dela... levanta-se e vai até o balcão da cozinha, passar um café. Em silêncio, move-se aqui e ali, só o bang das colheres e tampas e portas de armários.

Rachel sente o álcool descer e perde um pouco a coragem, bochechas coradas, sentadinha na poltrona macia, sem saber o que fazer com as mãos. Observa, embaraçada. Pensa em ir embora... Levanta-se, mas volta a sentar. Preciso falar... PRECISO!

Enfim, retoma seu objetivo, põe-se de pé e vai até ele, debruçando no extremo oposto do balcão. Abre a boca, fecha, reformulando a frase. Ele apenas observa a confusão dela, seus olhos felinos desvendando mistérios, uma mão passando a xícara de café dela enquanto a outra leva sua própria xícara à boca. Ela finalmente fala:

"Você vai mesmo embora pra Brasília?" - seus sentimentos aflorando, estremecendo a voz, os olhos marejados. Seu cérebro imagina quinhentos diferentes cenários de vida sem ele, com ele aqui, Brasília.
"Vou. Mas pretendo voltar."
"Mas quanto tempo vai demorar?" - o volume da voz dela cai um tom - "Quanto tempo sem você?"

Ele larga a xícara na pia, estendendo a mão, entrelaçando os dedos dele com os delas... Dando um leve aperto de reconforto, ele sussura:

"Não sei... mas essa distância será, certamente, dolorosa. Não vou porque quero... é preciso!"
"Eu sei que é... Mas, no meu egoísmo, desejaria que você não fosse."

Ele é tão bonito... olha esses lindos olhos! Posso ler a alma através deles... adoráveis.

"Infelizmente, vou. Mil desculpas... por favor não pense que estou te deixando pra trás."
"Não penso nada, querido. Só penso em como matar o tempo, esperando pela sua volta."

Ele fecha os olhos, soltando o ar num suspiro, como se doesse o interior.

"Seja feliz por mim, Rachel. Não me espere."
"Tolo. Espero... espero."

Ele sorri, aliviado. Dá um passo a frente e enlaça os braços em volta do corpo dela, enterrando as mãos nos cabelos. Promessas voam dos seus lábios direto dentro do ouvido, um beijo na têmpora, entre doces palavras.

Ele dá então, entre lágrimas, um passo atrás. Ela vai em direção a porta, olhando tristonha para as malas já feitas no canto da sala. Gira a maçaneta, soluçando levemente. Olha por cima do ombro e vê a figura vertical dele, seus cabelos amassados, desalinhados, pés descalços.

Ele é realmente lindo.

Abre a porta e antes de pisar fora, ela olha bem nos olhos dele e diz:

"Enfim, só vim aqui pra te dizer que te amo. Saiba sempre e leva essas palavras contigo."

E desceu, escada abaixo, sem ter certeza de que um dia iria voltar.


whoa!


one snippet of bitterness

your train is leaving town
and i really don't know what to say
as i wave a fake goodbye
actually glad too see you go away

***

seven snippets of violence

you have such gypsy eyes
when trying to make amends
and i hope that, when you die,
it will be by my hands!

***

and now all i see is red
on the clothes, on the bed
and the silence, it doesn't matter,
it's gold, your dead mouth, back stabber!

***

i try not to get stabby
but this way that you act,
showing no respect,
makes me trigger happy!

***

as we go into this joint
dancing to hardcore, so much fun!
i see the smiles fading away
at the sight of my handgun.

***

the alley is dark and dirty,
the only light is of faint candles,
you won't see the razor blade comming
to your throat, or my blunt gun handle.

***

you pass by me everyday
and you don't even fucking notice!
tonight, my hands are gonna talk!
i am gonna start street justice.

***

realise carefully what you've done to me
and don't say you weren't expecting strife!
now you are gonna have to see,
paying with blood, by my butterfly knife.

***

whoa!


Tristessa

a beat won't choose
a beat CAN'T choose
between the cheap wine and the warm beer
or the greasy burrito and one cent coffee

a beat can't choose
a beat WON'T choose
among the subterranean friends and the vagrant lovers
or the vagabond life or the budhist style

so, as a beat i go along the crowded
gray cities' sidewalks,
watching the faces, poems, bars
cars, roads, cats and dogs.

and in a wild, huge, warm beat hunger
i won't choose, i can't choose!
i will just embrace what karma brings me
and i won't deny what my dharma made me.


whoa!