Setembro 22, 2006
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posted by Mercedes |
21:43
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Setembro 21, 2006
assimilando Kerouac
ele tinha uma negra e espessa cabeleira e olhos castanhos vivos e brilhantes e longos dedos de pianista.
gostava de ver poesia em tudo e falar sobre os pequenos templos perdidos nas encostas das montanhas, de alpinismo e caminhada. vagabundagem pelo mundo, em geral.
ia desdobrando suas pequenas estórias sobre tempos de mochilagem na China, enquanto coçava a barba ainda desalinhada do sono, scrach scrach, e domando madeixas rebeldes que enquadravam tão bem sua linda face. os dedos viajavam, espantando os últimos vestígios de sonho ainda presos nos cílios.
sem camisa, descalço. não esqueço dele, pacíficamente vagabundo do dharma, sentado na mesa perto da janela, iluminado pela manhã ainda fria, arrepiado, cortando waffles de chocolate e os longos dedos de pianista abraçando languidamente uma xícara de porcelana. o primeiro sorriso da manhã ele me dava - lábios apertados com apenas os cantos da boca virados para cima, num perfeito contentamento felino.
o primeiro beijo da manhã ele me dava e sempre tinha um hálito fresco de menta e de café.
posted by Mercedes |
17:35
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Setembro 16, 2006
Bob Nanna - Lost My Lights
there is something i think i should tell you all: i'm not feeling very well and i haven't been for a while. something inside me has jumped the track.
i'm confused, i'm not thinking right, i'm not sleeping right and i... i... just don't think that i am complaining about this or asking for your help. there is nothing anyone can do about it, it just happened and that's all that's to it. i don't know what am i going to say from one minute to the next, i really don't. i don't know what am i gonna say or what am i gonna do. do you understand that? and i know this is comming in a bad time for everyone but, ah, there is nothing i can do about that. i'm tired and i'm... ah... ah.. i don't, i don't, i don't see things the way i used to. everything... every-thing... EVERY-THING is fucking strange and and it's all completely out of control... and i'm frightened. and maybe if you all could give me some real help, you know, that would be... not your pity or generosity but some help! take a look at me. i...i know that i am ruining everything but i can't, if i don't say this now, i may never say it. everything is going very fast! it's going very very fast! it's completely out of control, and if i... and if i don't say it today, tomorrow may be too late. i may be too crazy to even know how crazy i am! i don't know what to do! i don't know what to do! something is happening to me and i am very lost. and it doesn't stop! it's not getting better, i don't get better, i'm not getting better. it's just going on, and going on and there is nothing that i can do about it! it's not stopping!
*cries*
*whispering* it's not stopping.
posted by Mercedes |
01:17
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Setembro 14, 2006
pequenos escuros lugares que gosto de chamar de meus
gosto de sorrateiramente fotografar escritores compenetrados em civilizados cafés parisienses, completamente imersos em seus mundos pessoais, à escrever obras primas sobre a condição humana e o estado volátil do tempo, dos sentimentos e das coisas.
gosto de conversar com pintores em exposições claras e grandiosas, sempre poéticos, sempre melancólicos. o cinza de suas almas contrastando com o colorido das telas. gosto de falar de Hopper e do tempo que passa, como a arte de hoje pode não ser a do amanhã e, como humanos, ficamos todos, sem exceção, velhos e datados.
gosto de observar bêbados, descendo à goladas cervejas e vinho barato pelas vitrines dos bares e pelas calçadas. longas olheiras, tragando e expelindo fumaça de cigarro. seus lábios rachados ostentando infinitamente longas cigarrilhas das piores marcas - qualquer uma que se possa comprar com trocados. maços e mais maços, à meia luz, caídos meios-olhares que fitam um espectro de passado ou de dias mais prósperos.
gosto de imaginar o que está ausente, o que é infinito ao olhos corriqueiros. gosto de imaginar pessoas unidas pelo destino, pela solidão inesperada, inexplicável. gosto de observar o mundo e de estar, mesmo em uma festa, em uma cidade lotada de pessoas que procuram outras pessoas, inegavelmente, completamente e imutavelmente só.
posted by Mercedes |
14:30
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Setembro 8, 2006
lendo stendhal
tudo que eu tenho a dizer é que suas meias respostas, tortas, crípticas e monossilábicas me ferem, me desconcertam, despedaçam.
oh, desgosto!
quanto é necessário para eu assimilar a lição?
oh, desprezo!
quanto é necessário para eu aprender a lidar com as palavras?
oh, tempo!
acho que já foi tempo suficiente...
eu admito! sinto saudades...
posted by Mercedes |
14:41
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