Agosto 25, 2006
(one side of a conversation)
triiiiiiiim... triiiim
hello.
oh! hi... did something happen?
oh, where am i? i am here... yeah.
yeah. oh, i just grabbed my things and took the train home. no, i am not mad. it's alright... no, it's not desolation. and it is SO not sadness. chill, ok?
i just have an edward hopper mood going on. i know, i know it sounds bad, but no no, it's all good. relax. it's all the karma balancing... it's getting me tired. i am gonna sit quietly for a little time. please don't come visiting. please don't worry. give me a day and a night alone, right? i'll come back, safe and sound.
i talk to you later, kay? call me tomorrow, kay? loveyakissesbuh-bye
posted by Mercedes |
13:55
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Agosto 20, 2006
Lorraine
era um barzinho aconchegante em Nova Orleans. a cerveja era barata, o ambiente escuro e esfumaçado. copos longos, suados... drinks gelados contrastavam com a madeira escura do balcão, iluminada por sombras verdes de um neon da Heineken.
um bar de subsolo, sem janelas, com cheiro persistente de fritura e suor. grande parte do público do "Mardi Gras' Bar" é composto por sujeitos low-life: baixa renda, baixa auto-estima, embebedando-se entre mulheres abandonadas pelo maridos, cujos filhos estão sozinhos em casa, cuidando uns dos outros, tornando-se adultos antes do tempo.
fui uma dessas crianças. ficava em casa todas as noites lendos livros na minha cama enquanto meu irmão fingia dormir mas ficava com as orelhas em pé, esperando o barulho do cambalear bêbado de mamãe esbarrando nos cômodos, o bater da porta da frente.
acho que completei o ciclo. todas as crianças forçadas a perder sua inocência, a amadurecer antes do tempo, tornam-se exatamente o que prometeram nunca se tornarem: seus próprios pais. ao menos, eu tive a decência de não ter filhos, de não trazer ao mundo pobres diabos que terão que pagar 16 anos, no mínimo, de penitência, de modo eu possa obter minha "redenção". não serão forçados a serem envergonhados por um parente que chega bêbado na sua festa de aniversário ou que simplismente não dá a mínima e nunca está lá.
logo, aqui estou eu. num banquinho de bar, entre a escória da cidade, anjos caídos, poetas fracassados - pessoas sem sonhos e sem esperanças, que bebem até morrer, preocurando esperança no fundo de cada garrafa. uma atrás da outra, lá se vão os níqueis dos seus sub-empregos, lá se vai goela abaixo cada pingo de humanidade. pode ser uma descrição de um lugar ruim, mas me sinto confortável aqui, meu segundo lar partido, onde tenho a segurança de todas as noites ver as mesmas faces.
a mesa de sinuca, o ventilador de teto quebrado. a ausência de luz desse lugar é assustadora porém estranhamente reconfortante. cada dose deixa minhas pernas mais adormecidas, meu pensamento divaga. alguma dessas almas, num ataque de lucidez aciona a jukebox. isso sim é o que vale a pena. Coltrane ressoa pelo lugar com Blue Train, na sua maravilha de vinil. meus filhos saberiam que todas as belezas estão nos discos de vinil, não essa barulhada country que os caipiras escutam no trailer vizinho a nossa casa.
mas não terei filhos. não tenho herança nenhuma, existência nenhuma a deixar para história. não deixarei uma casa, não deixarei um livro ou uma legião de amigos devotos. nada.
mas também não deixarei tristeza. eis um bom lado da existência vazia. não contribuirei com a tristeza de ninguém, além da minha própria. e quando se morre... se morre apenas uma vez, porém por um tempo tão longo! enquanto esse meu futuro ainda não me apanha, vou andando, trocando pernas, pela chuva do longo dezembro de Nova Orleans. dezembro comprido que se recusa a ir embora, que recusa a envelhecer a cidade. não reclamo, não desejo ver AINDA minha morte chegar.
ando as ruas, ando as noites. chego a não-tão-brilhante conclusão de que as noites são longas quando não se dorme. eu não durmo a noite.
eu não durmo jamais.
posted by Mercedes |
14:16
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Agosto 17, 2006
"a grama é verde devido a clorofila, os cloroplastos, água, sais e sol" - penso eu no pensamento cinetífico normal do meu ser. a grama é verde... e é fresca e piniquenta.
as meninas deitam sobre a grama com suas pernas nuas, bronzeando-se no sol. eu me deito na grama, como todas as meninas, coxas expostas em pequenos shorts, ficando vermelha em Amsterdan num belo dia de verão.
é um sol realmente quente. tomamos umas cervejas, arregaçando as mangas das camisas, suor empoçando em cima das sombrancelhas. as meninas todas sorriem na imbecildade rotineira de deitar-se ao sol. não me sobra nenhuma outra escapatória senão sorrir também.
meninas colegiais que levantam os joelhos, espreguiçam-se, coçam os pontos de pele nua que entraram em contato com a grama. retiram cabelos suados das testas, emplastrados, ensopados, espantam mosquitos, esmagam formigas que passeiam pelas linhas de seus braços.
procuramos nuvens no céu azul límpido, inventando formatos. aquela ali, vês? parece um coelho. aquela outra lá parece um fantasma. esticamos os dedos, apontando, tentando alcançar o paraíso.
raios atingem os rostos, corando bochechas, franzindo olhares. as pupilas retraídas fazem dos olhos das meninas de Amsterdan pequenas linhas apertadas, porém imensos espelhos de azul, verde e castanho. ecoa o som de risada.
alguém contou uma piada e eu rio porque não me resta mais nada senão o verde da grama, os grilos, os arbustos e a leveza do não-pensar e do simplismente-ser.
posted by Mercedes |
18:13
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poesia do nada pra lugar nenhum
a velha máquina de escrever
continua lá, verde e velha
olivetti lettera 82
empoeirada, porém perfeita.
"tum-tum-tum": o barulho de suas duras teclas
enquanto digito uma carta
de amor pra você, querido.
delas surgiram contos da infância,
cartas de amizade
e pedaços de amor eterno (que acabaram),
assim como nosso amor (que já acabou).
essa carta é quase um discurso
fúnebre. uma lembrança do
nosso amor finado, porém,
nunca mórbido.
assim como num filme de Tim Burton,
nosso mundo dos mortos é lívido
lindo, colorido.
os fantasmas (do nosso romance) se divertem...
meus dedos divergem já
do meu intuito original.
isso era pra ser uma carta de amor
e virou um poema de amor
no melhor estilo de flávia:
memórias de romances póstumas.
posted by Mercedes |
11:30
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Agosto 16, 2006
bass break
o sono é para os mortos
venda suas merdas, suas tralhas
e vamos por caminhos tortos
cair na esbórnia,
com o resto da escória
da gandaia.
não dormiremos à noite,
não dormiremos nunca mais.
vamos, não há quem se importe
mais com bens materiais.
pegue o que quiser,
venda meus álbuns por trocados,
por dinheiro passado e
compre passagens de ônibus pra lugar qualquer
para nós dois.
crianças, não chorem
não fiquem deprimidos:
sua mãe e pai estão indo embora
porta afora,
mas uma dia irão voltar.
posted by Mercedes |
23:31
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é brega, mas é uma confissão
i didn't know where to start
how to say or
how to do it,
so, i'll start from the beginning:
first of all,
this is plain and easy -
i love you
and always will.
(not so hard now that it's out)
i want you to know
there you never left my mind,
that my heart still is your home
and that i want you here with me,
by my side, to grow older
and
i know i left
without explanation and
went far away and almost didn't come back
but this is my love:
free.
i know, it was selfish,
that i should have left a note
or a one week notice
- all the things i should have done
all the things that i didn't do -
but time cannot come back
mistakes cannot be undone
so i won't cry in regret
we are now alive
and living and happy.
i came back!
i always come back when i go!
i want you to open your door
to your bedroom
'cause i have the key to your heart
i can't wait anymore to rest in your arms,
to put my head on your back
and go to sleep,
untangling your dreams,
tangling your sheets...
i cannot promise that i won't go away
but i can promise my forever love
loyal, fierce, and strong.
posted by Mercedes |
22:50
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Agosto 10, 2006
we won't talk about problems anymore
o dia era ensolarado porém frio. o sol, filtrado pelas cortinas, invadia sem força, apenas alguns raios.
esses raios atingiam seu rosto, iluminando queixo, pescoço, ombros. ele estava deitado de costas, a face contraída mesmo no sono. ele lutou contra, porém a luz veio e ficou. sombrancelhas se franziram, pálpebras se abriram - cílios flutuando.
(seus olhos eram uma piscina azul límpida na qual eu poderia certamente me afogar)
levantou-se aos poucos, murmurando pedaços de sonho. na cama ficou apenas uma ruga, uma pequena imperfeição para mostrar que um corpo esteve ali, levemente deitado. você dormiu como se mal tivesse tocado-a, incomodado numa cama que não é sua (mas que, porém, é minha).
seu jeans surrado, pendurado na cadeira, foi chacoalhado, batido e vestido. sua camisa já viu dias melhores, mas sempre traz memórias de tempos jovens - deitados na grama da Inglaterra, 1997. camisa tão macia, justa, torneando as infinitas linhas quadradas das suas clavículas, dos seus ombros largos.
você pega suas malas, vai embora. mesmíssima história. depois de três dias, você volta, jogando a mochila nunca canto, as chaves na mesa de centro.
meus olhos estão mareados.
"mas se você diz que me ama e nunca vai me deixar então porque tentar? se estamos vivos e felizes e eu me for mas um dia voltar.... você saberá!"
então eu te deixo ir... você volta contando as novidades do mundo, fresco e vermelho do sol - e nem nota que, em relação a você, eu estou um tempo de vida atrasada.
posted by Mercedes |
11:54
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Agosto 5, 2006
é como perder um ente querido
acabou-se a mágica dos dois homens-elefantes, o hype dos bigodes e barbas.
apagaram a luz. foi o fim da festa - virou a década, 1979 virou 1980. nosso ano favorito virou passado.
as mulheres ficaram velhas e as máquinas, obsoletas. acabaram-se os moicanos, a batida rítmica do bumbo e o baixo desenfreado. acabou-se a dupla de amigos tomando uma cerveja e o som que pulsava pesado pelos amplificadores não pulsa mais.
os tênis cano alto estão velhos e gastos, jogados na soleira da porta. faz tempo que não se falam - e me dizem que nem é triste, que é normal. se sempre for assim, amadurecer é um saco.
agora sobraram apenas duas dúzias de músicas que vão se repetir sem parar na vitrola sem cansar, duas dúzias de pérolas, de letras. porém, vão ficar 12 dúzias, no mínimo, de memórias.
RIP DFA1979
posted by Mercedes |
22:08
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