dharma bums
qualquer coisa poética aqui presente é acidental


Maio 31, 2006

gosto de tudo que é do passado. não só do que foi do meu passado, da minha célebre infância, mas do passado do mundo e do seu legado. o passado era harmonioso e tranquilo: como uma criança, no parque, deitada na grama depois do almoço aproveitando o calor dos raios de sol. me lembro de tudo com carinho e fervor. o passado é alaranjado, amarelado, como refrigerante fanta laranja. e mais cores quentes e fortes - cadeiras de plástico vermelhas, papel de parede verde, tábua corrida.

amarelado é meu passado. e é também imóvel e imutável, congelado no tempo como uma fotografia em sépia.

as memórias do meu passado são frescas. lembro ainda dos momentos passados. lembro dos que alguns considerariam muito e o que muitos considerariam tolos: uma brincadeira entre amigos, uma conversa, um pensamento numa tarde de castigo... fitas K7 com coletâneas do melhor dos 90's, briga no pátio do colégio.

o passado me aquece. gosto tudo que é velho, que cheira a mofo, que tem cara de destruído. gosto do LP do Elvis, do suéter de lã da vovó. o futuro é cinza, sem rosto, frio, ultra-iluminado. você não conhece mais o seu vizinho, nem deseja conhecer. seu mundo é sua porta adentro e você tem medo de sair e sentar na grama, fazer um picnic. tem medo do sol te aquecer, da brisa te esfriar.

o futuro me aborrece. penso no meu futuro... o que ele me guarda? alguma doença moderna, futurística. um amigo robótico, um almoço em cápsulas. uma risada gravada na secretária eletrônica e 1200 canais de tevê a cabo. mas nenhuma árvore, nenhum sol. o futuro me reserva apenas esquecer todo esse patrimônio do presente que eu tive tanto trabalho pra construir.

o futuro apenas me reserva substituir minhas boas memórias por outras mais modernas. o futuro me reserva trocar de computador, de câmera digital.

meu futuro serve apenas para me fazer esquecer do meu passado.

posted by Mercedes | 23:17 |

Mercedes

você bebeu demais e falou demais e agora não tem outro lugar pra ir senão o fundo de outra garrafa. vamos, nos embebedar depois levantar e beber mais. passar vergonha, passar mal, não importa. estamos todos em mesa de bar, entre amigos e entre piadas.

foi realmente uma grande noite, garota. você falou de um tudo, fez de um tudo, bêbada até não poder mais. passou vergonha, mercedes, mas valeu a pena... você se dobrou de tanto rir, das mesmas histórias, das mesmas palhaçadas.

claro que chegou em casa e teve que encarar a família sentada à mesa, olhares de desaprovação. mas não importa... a leveza no cérebro está ótima. se embebedar nunca foi solução de nada mas você bem que gosta mais da sua pessoa bêbada do que sóbrea. se arrependeu, claro, de alguns vexames e alguns fatos que não deviam ser contados então, telefonou pra se desculpar. até mesmo pra dar uma levantada na moral, no EGO, visto que todo final de bebedeira traz consigo sono, depressão e baixa visão de si próprio. os amigos te garantiram que não havia com que se preocupar: menos um peso na consiência.

agora só falta o mundo parar de girar pra você conseguir dormir. e o ventilador de teto gira, no sentido contrário, fazendo enjoar.

É, Mercedes, o dia seguinte te espera. levantar e ir trabalhar, mesmo com torcicolo e dor muscular de uma noite de sono bêbado. o gosto de cabo de guarda-chuva na boca, a dor de cabeça - é ressaca. um par de aspirinas, muita água: velha fórmula que todo bêbado da vida do submundo conhece. o corpo está pesado mas o espírito está ótimo. você se sente bem por ter visto os amigos, respirado ar fresco, ter se livrado do peso do cotidiano fatídico.

só falou o jovem garoto lá. se ele pudesse estar lá, com certeza veria essa sua nova fase: fresca, menos distante, menos gélida. te veria humana! de bochechas rosadas até... rindo até cair das cadeiras, falando, interagindo. mas ele, com aquele frio olhar avoado, provavelmente não teria reparado nada, recatado no mundo de idéias próprias. ele vive em seu próprio tempo. mas você gostaria que ele tivesse estado lá. seria feliz ter visto aquele rosto moreno, sorriso branco debaixo das luzes do bar, bebericando um chopp naquela pacífica moleza.

mas ele não estava lá. ele nunca está lá. mas, afinal, como poderia estar se não foi convidado? maldade, Mercedes. quando ele souber vai ficar devastado... mas é bom fazê-lo sofrer um pouquinho também, afinal, por ele você já gasta seu tempo de vida todo.

e agora levanta, Mercedes. Vai trabalhar... Trabalhar em novos grandiosos caminhos que evitem te fazer trabalhar em coisas que irão realmente resultar em algo útil.

posted by Mercedes | 22:45 |


Maio 27, 2006

now that it's over, this weight is off my shoulders
now that it's over, I love you more and more

posted by Mercedes | 16:51 |

meu Garoto

Eu não sei porque ainda acho que sinto sua falta. Não sei o que realmente sinto, seriamente. Não é amor mas é, com certeza, mais que amizade. Acho que é um amor fraterno, só pode. Te vejo tão raramente mas te sinto, todos os dias, presente nos meus pensamentos. Olhos as fotografias, rio dos bons momentos (e as vezes até choro lembrando dos maus).

Poesias foram escritas e trocadas. Algumas das minhas foram escritas especialmente para você (por mais que você não saiba). Confidências eu te disse todas, sem pudor. Você me contou algumas, pedaços. Sua vida pode permanecer pra mim um segredo, eu entendo e não me zango - era assim seu jeito: escutar muito e falar pouco. Ô menino calado. Mas esse era o seu charme, esse seu mistério.

Como eu dizia antes... todos os dias me pego pensando na sua ausente figura. Como pode? Tão pouca convivência, tão pouca conversa e uma impressão tão grande deixada? E assim, como penso em você, penso também se é inútil ou não me lembrar do nosso passado. Afinal, você não parece se importar se eu vivo ou morro. Quando me vê, diz que sentiu saudades ou, as vezes, vem conversar e dizer que tal coisa te lembrou de mim. Seria verdade? Ou só conversa delicada? Mas eu, idiota encatada, nunca consigo distinguir se você está sendo completamente sincero ou não. Na verdade, acho que não importa. Só de ouvir o som da sua voz, meu coração pára. Quando sua boca se fecha e o encanto se quebra, eu volto ao mundo, finalmente solto uma respiração que nem sabia que estava prendendo.

Mas, seja como for, se você pensa ou não em mim eu não me preocupo. Claro que a dúvida, por muitas vezes, quebra meu espírito, mas não é nada demais. Só escrevo isso porque quero que você saiba que a minha porta está sempre aberta se você quiser chegar. Esteja com fome, esteja cansado. Beberemos, almoçaremos, tomaremos um chá. Sem dúvida, sem dívida: como amigos sentaremos, você não tem nada a pagar. Apareça.

Porém, visto que você nunca me ouve e nunca aparece, me reservo o direito de, nem que seja, apenas sentir saudades.

posted by Mercedes | 11:06 |


Maio 26, 2006

Livia

"young couple kiss sloooowly" - cantava a canção do rádio. o beijo porém, nada tinha de lento. o banco de trás daquele carro era pequeno e apertado (e não podia ser mais perfeito para beijar). os amantes se encontravam bem próximos - próximos até demais - a menina no colo do rapaz, abraçado forte. o calor que emanava do beijo juntava-se a respiração dos outros 4 integrantes do pequeno veículo, fazendo embaçar as janelas. porém, esse beijo tinha começado gentil. um selinho, um desafio, enquanto o carro diminuia a velocidade num passeio pela praia. rolávamos suavemente pelo asfalto, aproveitando a vista depois de diversas cervejas geladas num bar da zona sul. o motorista pretendia parar em algum lugar mais à frente pois a mala estava cheia com mais dois engradados semi-gelados e adolescentes dispostos a beber até o primeiro raio de sol.

falemos do casal... nós, a princípio, não sabíamos, mas a menina estudara com o rapaz fazia muitos anos. ele fora a primeira paixonite dela mas, naquela época, ele era o menino bonito do colégio e ela, em sua adolêscencia desjustada, nunca fora notada. porém, agora na faculdade, ela estava diferente física e intelectualmente: havia deixado a timidez a esquisitisse de lado e florescera uma linda moça, jovem e apaixonante. ele também deixara de ser o menino bonito: tornara-se um belo homem, crescido e nada infantil. atraíram-se mutuamente. mesma conversa, mesmas bandas, mesmos locais. fizeram amigos em comum e nesse dia, em especial, não deixaram de se notar. seus corpos pareciam imantados: atraiam-se todo o tempo. esbarravam-se, tocavam braços, cotovelos, costas. até a hora de chegarem no carro que, devido a uma presença de última hora, tornara-se apertado demais para todos seus integrantes. por força do destino eles aproximaram-se mais e mais até a hora em que estavam tão próximos que o mais lógico passo seria, com o parar do carro, continuar o movimento e colarem os lábios. e foi o que fizeram.

fora O beijo. nós, espectadores, quase pudemos ver os fogos de artifício. era muito tesão incubado. o beijo, na verdade, fora uma demonstração de afeto. iniciara-se gentil, uma leve exploração... mas crescera até uma proporção deliciosamente alarmante. as mãos da moça vagaram pelos cabelos e pela nuca do rapaz como em uma missão de reconhecimento. as mãos dele desceram até a cintura dela, segurando-a, ocasionalmente fazendo cócegas ao roçar de leve pelas costelas. era um beijo de lábios fechados, olhos semi-cerrados, procurando perceber se agradava ou não. ele tomara o lábio inferior dela em leve mordida e ela, gostando, gemeu na boca dele. e agradou. logo, lábios se partiram e línguas se tocaram, quentes, salivantes. duelavam pelo controle da situação, agradavam e machucavam, mas com carinho. os lábios de fundiram e dissolveram-se em fogo líquido. as unhas vermelhas da menina enterravam-se na pele do pescoço mas ele nada sentia: o rastro de arranhões vermelhos fora trocado por um agudo chupão no pescoço da moça - o que, na minha opinião, foi uma troca justa de demonstrações de desejo. o colidir das bocas excitava e fazia gemer, baixinho, como um gato. separavam-se de quando em quando em busca de ar... mas por alguns momentos apenas. estavam desesperadamente apaixonados.

paramos na praia para terminar nossas cervejas... eles pouco se interessaram - estavam já extremamente entretidos, abraçados na areia.

e a canção do rádio não podia ser mais propícia. tocava Braid e o vocal falava
"The young couple kiss slowly / Two starfish in the sand / The young couple roll gently / Is my heart your home?"

posted by Mercedes | 01:15 |


Maio 22, 2006

Clarissa

todos os dias ela se derretia ao pensar no seu namorado. mal acordava do seu sono leve e já, sem nem abrir os olhos, pensava instantaneamente nele. via as imagens do seu amado por detrás das pálpebras. podia ainda sentir o aroma que ele deixara nos travesseiros e fazia do calor do sol um pobre substituto para o calor do corpo dele, antes ao seu lado.

levantava-se leve, banhava-se. linda menina, jovem, apaixonada. flutuava pela casa, murmurando canções ininteligíveis de amor... pequenas rimas, pequenos versos floreados. tomava o café quente aos suspiros - e franzia a testa ao sentir o gosto amargo da bebida, podendo apenas comparar esse gosto ao adocicado sabor dos lábios do amado. nenhuma sacarina era mais doce do que o beijo dele, nenhum açúcar era mais gostoso.

e, é claro, a ao lembrar do beijo, a saudade ficava insuportável e ela se convencia de que nunca era cedo demais para telefonar. ouvir a voz dele, mesmo que a distância, apertava o gatilho das maravilhosas lembranças na cabeça dela. não que ela tivesse esquecido o tom aveludado de sua voz - simplesmente não cansava de ouvi-lo falar. a voz máscula dele, para com os outros era ríspida e monossilábica, mas não para com ela. para ela, ele contava cada minucioso detalhe de sua rotina matinal, mesmo que essa rotina fosse igual a de ontem e a do dia anterior ao ontem. ele se repetia, mas sem ser monótono. fazia só pelo prazer de encantá-la. ela ouvia, atentamente, como se fossem as maiores novidades do mundo moderno; o aparelho de plástico frio colado à orelha, como se assim pudesse absorver ainda mais os sentimentos que ele emanava.

o som da voz dele era melhor do que qualquer música de qualquer orquestra. os de fora realmente não entendiam. meros espectadores, mortais, surdos demais para ouvir a sintonia do amor. só os apaixonados se entendem. é como um código de casais - uma vez acasalado, a frequência de sintonia se iguala e os outros nunca poderão entender. e quem não entedia, invejosamente, criticava. mas ela não ligava. não havia tempo a perder com as bobeiras que os outros pensavam. só havia o tempo dele com ela, o tempo a dois.

porém, logo ele anunciava, tristemente, que tinha que ir trabalhar. ela choramingava um pouco só pra ganhar mais um minuto de murmúrio apaixonado. mas era inevitável. despedia-se de coração pesado, olhos marejados. o click frio do outro lado da linha aparecia e ela instantaneamente sentia o vazio. se entristecia por um minuto devido a perda mas, logo depois, voltava a sorrir ao andar pela casa e encontrar os pequenos objetos de afeição por ele deixados: um pé esquerdo de meia esquecido, a escova de dente especialmente colocada ao lado da dela. pequenos sinais de afeição e intimidade, reservados apenas pra ela.

e assim ela criava coragem de continuar o dia. sorria seu sorriso secreto e partia para os afazeres do mundo, contando minuciosamente o tempo. enchia a cabeça de lembranças, de fantasias, de histórias... tudo pra se distrair. o trabalho, frente a um amor dessa magnitude, era pequeno e mesquinho. ela ignorava os livros, os afazeres. "o trabalho enriquece a alma", dizia o velho avô. mas toda essa labuta que o mundo impunha era, pra ela, só passatempo - só uma forma de matar as horas até ela rever seu amado e finalmente poder se sentir rica, rica do melhor tesouro do mundo: beijos e abraços.

posted by Mercedes | 23:35 |

Rachel

toda vez que a menina o via era aquele estradalhaço! ela voltava, sem nem perceber, à sua fase adolescente. se mostrava novamente sonhadora, avoada. sorria um sorriso largo, sem sentido. quem estava ocasionalmente olhando, não entendia o motivo de tanta graça. só os mais íntimos conseguiam perceber: estava apaixonada. ela negava que estivesse. está certo, está certo... podia não ser tanta paixão, podia ser algo até menor coma uma quedinha, uma paixonite platônica, mas os efeitos eram igualmente arrebatadores. ela estava gostando de gostar.

coração leve, riso solto. ela agora parece constantemente embriagada na presença do rapaz. seus olhos castanhos estão enuveados, pupilas dilatadas de excitação e interesse, acompanham passo a passo as movimentações do cômodo. ela chega mais perto, esbarra nele, finge ser sem querer - só o toque leve de pele com pele já é o suficiente para dar choque. o coração bate mais forte, as palmas das mãos suam... "me desculpe", ela diz, trêmula, abobada. ele não diz nada. apenas olha com olhar cúmplice e sorri de soslaio.

ele é um rapaz de mistério. fala pouco só pra fazê-la desejar ouvi-lo mais e mais. ele quase sussurra, sensual e despreocupado. são limites sendo testados. ela bebe das palavras dele, observando atentamente os rosados lábios - na sua mente, ela imagina 1001 cenários onde ela podia livremente beijá-lo. isso é o que mais ela faz nesses dias: fantasiar. perde seu tempo criando cenas de namoro e beijos roubados.

nesse meio tempo, ele sorri vendo o olhar perdido dela. entende, mas finge não entender. dizer que também deseja nesse momento faz desaparecer a mágica. que graça tem o fruto do beijo sem a dança da conquista, o cortejo? o jogo deve ser empurrado até o limite máximo do prazer e da tortura. só por isso ele toca na costas da mão dela, fazendo-a pular... ele convida pra uma dança, ela aceita, estupefata. uma mão na cintura, outra na parte baixa das costas. as mãos dela vão pra nuca dele, demarcando território.

de repente o ar fica quente e o cômodo, apertado. ambos desejam que os outros convidados da festa sumam como passe de mágica. a tão curta distância, novas memórias sentimentais vão sendo criadas: aromas de perfumes, a maciez do toque, a aspereza deliciosa da barba por fazer. o hálito é tão fresco e erótico como um beijo - porém não igualmente satisfatório.

a música acaba mas eles dançam por mais alguns segundos, no silêncio. de repente acordam do transe hipnótico do abraço e se separam. infelizmente, já é tarde e ela tem que ir embora... seu coração se parte no momento da despedida - sempre a melhor hora tem que ser interrompida. ele sorri, serelepe. ela, tímida, sente arrepiar os cabelos da nuca. ele fala, no seu sussuro de baixo tom:

"espero ver essa mocinha aparecer mais... nem que seja pra reclamar que eu mato muita aula"

*mocinha desmaia*

posted by Mercedes | 00:25 |


Maio 19, 2006

5 minutos

antropólogo das calçadas
eu vago, sem parar
observos os passantes do mundo
invísivel, ninguém a notar-me

viajante solitário

ando, minha mochila nas costas
com alguns objetos escarços:
uns livros, uma camisa, um casaco
mas não preciso de nada.
podia viajar até de pés descalços
pois o que me basta é sua lembrança:
o seu sorriso, seu jeito de andar.

sei que fui sem aviso
e sem prometer voltar
mas voltei, abra sua porta
seu coração e
deixe-me entrar

é só uma poesia piegas
eu sei
mas você é meu corpo
meu porto
e quero ancorar

mas enfim, isso é só um pedaço
de papel, amassado
um verso mal rimado
enquanto espero o sol nascer
e você acordar.

posted by Mercedes | 13:45 |


Maio 8, 2006

caralho

agora que eu percebi que vai fazer quase um ano que eu terminei de ler on the road e um ano que parei de escrever diário nesse blog aqui

pobre mercedes

abandonada no 25 de maio

25 de maio foi deprimido pra cacete ano passado... mas a vida continuou e eu estou melhor agora.

... acredito eu...

posted by Mercedes | 13:13 |

poemas antigos, só pra não dizer que estão perdidos... sinto saudade de escrever os acontecimentos passados da maneira louca e sem ponuação... só na vontade. mas por enquanto fico com esses poemas só.

16.10.05

"c'mon c'mon"

Eu grito, tentando ser mais alta que a canção do rádio:
"Vamos lá, vamos lá...
essa estrada é reta para o infinito!
E agora nem um só cretino
dessa cidade pode nos alcançar!"

Você diz: "Vá devagar, vá devagar, vamos esperar!"

E eu digo: "Vamos lá, vamos lá! Quer esperar o que?
Esperar a morte chegar?
Quero envelhecer duas vezes mais rápido
Por viver a vida da maneira mais ligeira que há!
Piso nesse acelerador até o fundo
E um muro
no meio do caminho é a única coisa que pode me parar!
Vamos lá, vamos lá!"

Lanço pro lado um olhar ligeiro,
Vejo você encolhido no banco do passageiro.
Olhos fechados, se pondo a rezar...
Tremendo de medo!
Medo que te congela e te impede de falar!
Você finalmente desengasga: "Freia, por favor... Quero parar!"
E eu grito, ao som do Rock: "Vamos lá, vamos lá!
Agora não é hora pra medo, vamos lá,
Se permite mais uma vez sonhar!
Desgrenha esses cabelos ao vento,
Pois essa cidade de cabeça pra baixo vamos virar.
É só você querer e me dizer 'vamos lá'
que eu meto a quinta marcha
e vou queimando a borracha
até o próximo blues começar..."

Vai, me dá um beijo daqueles, vamos lá!
Um daqueles beijos que só você sabe me dar.
Com sabor de cigarro e chiclete de menta
E hamburguer de dinner dos anos cinquenta!
Querido, nada vai nos parar...
Toda essa diversão é para nós jovens
Pois velho nunca quero te ver ficar!
Vou acelerar até você trancar os dentes
E sentir o vento no seu ouvido cantar...

Coloque sua cabeça no meu ombro,
Sem temores, vamos lá!
Fugiremos, pé na estrada, sem direção,
Matando nossos pais de dor no coração!
Mas não importa. Entra, bate a porta,
não se preocupe com cinto de segurança
E jogue fora essa esperança
De que uma cavalaria viria te salvar.
Ela não vai chegar, meu amor, não vai...

Estamos lançados à própria sorte,
Essa Old Town é nossa sentença de morte!
Vamos lá, vai ser legal!
É bom um tudo que faz mal.
Meu príncipe, vamos lá, vamos lá.
Você vai gostar quando chegar!
Agora coloca no rosto um sorriso cheio de gás
E assista enquanto as placas de retorno ficam pra trás...

Do jeito que eu gosto.
Ajeita esse topete, meu James Dean!
Nossa vida agora será assim:
Os prazeres da vida em alta velocidade.
Conservando essa nossa jovem idade
E nossas peles brilhantes ao sol de ouro!
Quero te ver descamisado e bronzeado
Nesses bancos de couro
Macios do meu carro...
Vamos lá!
Prometo que dessa vez
Você sorrirá.

Eu quero viver tudo ao mesmo tempo
E agora. Com você.
Me cansei de sentar e esperar
O futuro trazer as coisas novas
Eu é que delas vou atrás.
Quero ver é sangue e gasolina no asfalto
E um céu azul no alto.
Quero uma garrafa de vinho barato,
Whisky, cinzano, jazz e xerez!
No meu cintilante Chevy 53...
Quero ver até o agora ficar para trás!
Vamos lá, vamos lá.
Não temos tempo para esperar. Vamos lá!
Eu te amo agora e nada vai nos segurar,
vamos lá...

postado por: Mercedes 19:27

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1.5.05

Eu sinto que tenho que falar.
ah!
não adianta
fechar a boca,
trancar a garganta
ou dizer que é pouca
essa besteira que tenho a dizer:

eu te amo.

mas não quero dizer
da boca pra fora
quero ver como você
vai reagir na hora
que eu disser tudo que eu puder gritar!

não quero que sejam apenas palavras ao vento
ou um amor de moda ou um movimento
de "eu te amo por amar e só"

eu te amo sem pudor nem dó.
eu te amo até explodir
ou até mesmo me ferir.
eu te amo (e não amo só)

eu te amo, só sabe quem ama...
no escuro da minha cama
te amo e te adoro!
te amo como meu tesouro,
como meu deus coberto de ouro.
eu te mato, te arranho
mas faço por amor e nada mais

te amo como barco sem cais.
te amo no beat incessante
da minha mente
e cada poro da minha pele sente
o que é você e te amar demais.

te amo nos fios dos seus cabelos,
nos sussuros cheios de conselhos,
na serenidade do seu olhar.
seja na brisa fria como gelo
ou nos abraços cheios de zelo
amo tudo isso
que só você pode me dar.

te amo como um amigo,
eu te amo como um perigo,
te amo como um sorvete ou
te amo como uma surpresa ?

me perco na curva da tua orelha,
tenho fome na linha do teu pescoço.
enlouqueço no formar do seu torso
que ao de um deus grego se assemelha.

te amo na sua voz rouca.
te amo em gritos de desespero.
te procuro como uma louca e
te guardo dentro do meu peito.

eu te amo no seu desejo
no meu, no calor do mundo!
te amo com ardor profundo
que ninguém pode contestar...

te amo na sua presença
na sua saúde, na sua doença,
na sua alma que só quer amar.

e amo na tua revolução,
no teu desejo de mudar.

eu te quero na sua loucura,
nas suas pálpebras escuras,
nos seus braços, na tua mão
que segura meu pulso
e desperta desejos obscuros
E faz palpitar o meu coração.

Eu te amo nos seus afagos...
no vagar impaciente dos teus dedos
que se enrolam nos meus cabelos
e que nunca se cansam de afagar.

enfim, eu te amo em cada minuto,
em cada segundo do meu tempo!
em todo e qualquer momento
e em cada resiração que me escapa.

eu te amo, não há palavras!
te adoro, te respeito,
no subir e descer do seu peito
te amo nessas brisas calmas.

te amo na tempestade
que explode lá fora.
te amo no meu olhar calado.
amo simplesmente estar ao seu lado
nem que signifique eu morrer agora
e amar sem te dizer...

posted by Mercedes | 13:11 |
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